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PROGRAMA RIO-ESCOLA SEM PRECONCEITO

 

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
SUBSECRETARIA DE ENSINO
COORDENADORIA DE EDUCAÇÃO

 

 

Esta página foi criada para ser mais um espaço de divulgação de questões/informações associadas à Educação das Relações Étnico-Raciais e, enquanto Programa, desenvolver e divulgar ações articuladas e mobilizadoras de todos os atores que integram a comunidade escolar e demais estruturas da Secretaria Municipal de Educação. E visa lidar, criticamente, com todas as formas de preconceito e discriminação. Partimos do reconhecimento de que a diversidade das culturas presentes na sociedade brasileira deve ser compreendida como um elemento positivo, e contribuir para que todos e todas se orgulhem de seus pertencimentos étnicos. 

 

PROGRAMA RIO-ESCOLA SEM PRECONCEITO

 

RESUMO E EIXOS DEFINIDORES


O Programa Rio-Escola Sem Preconceito (¹) - criado pela Portaria E/SUBE/CED nº 19 de 26/10/2016, que consolidou as ações do Projeto Rio-Escola Sem Preconceito, estabelecendo-o como Programa – resulta de uma iniciativa da Coordenadoria de Educação da Secretaria Municipal de Educação para desenvolver ações articuladas e mobilizadoras de todos os atores que integram a comunidade escolar e demais estruturas da Secretaria. Voltado para lidar com todas as formas de preconceito e discriminação, o Programa dispõe da Educação e Cultura em Direitos Humanos como um dos marcos norteadores das convivências.

Diferentes documentos legais (²) serviram como referência e embasaram as formulações do Programa. Dentre eles, tomamos como referência primordial a Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, de onde destacamos:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II - garantir o desenvolvimento nacional;

III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes.

VII – Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.”

O Programa Rio-Escola Sem Preconceito parte do reconhecimento de que a diversidade das culturas existentes na sociedade brasileira é uma das grandes questões da contemporaneidade. Os temas sobre ética, diversidade e suas relações com a educação escolar tornaram-se uma preocupação especial por parte dos profissionais da educação nas três últimas décadas. O Programa Rio-Escola Sem Preconceito traz para cena principal das ações curriculares conteúdos presentes nesta realidade, com a intenção de contribuir para construção e consolidação de uma sociedade mais fraterna e igualitária.

E leva em consideração que a escola é um espaço que reflete a lógica social, ao mesmo tempo em que potencializa transformações que são gestadas pelos sentidos e significados constituídos nas relações empreendidas neste contexto social. O Programa revela a preocupação da Secretaria Municipal de Educação com determinadas temáticas e demonstra a necessidade de contribuir com o ambiente escolar e de ampliar ações de respeito às diferenças.

A Educação e Cultura em Direitos Humanos permite um olhar sobre os diversos personagens que encontramos na sociedade, e auxilia formular atitudes de não-segregação e não-discriminação. Significa não mais padronizar condutas e sim constituir compromissos que valorizem o encontro com o outro e a experiência com diversas culturas.

Constituído a partir de três eixos norteadores, o Programa busca fomentar iniciativas que auxiliem promover processos de reflexão e ações com a comunidade escolar. Os seus três eixos dispõem de uma conectividade que os fortalecem.

 

*Eixo 1

 

O Eixo 1 - “Relações étnico-raciais” - volta-se para promover a educação de cidadãos atuantes e conscientes na sociedade multicultural e pluriétnica do Brasil, reconhecendo o que há de enriquecedor nesta dimensão, de modo a permitir a construção de relações étnico-raciais positivas, contribuindo na construção de uma sociedade democrática.

 

*Eixo 2

 

Quanto ao Eixo 2 - “Convivências e Conflitos” - dispõe-se a enfrentar as diferentes formas de expressão de violência manifestadas no ambiente escolar, considerando o contexto das relações que se estabelecem nas instituições e os conflitos que lhe são inerentes. 

*Eixo 3

 

O Eixo 3 – “Diferença, diversidade e práticas sociais” - foi estruturado para promover o debate, em todas as unidades orgânicas da Secretaria Municipal de Educação – nível central, regional e local - sobre a educação como um direito fundamental, que precisa ser garantido a todos e todas sem qualquer distinção, promovendo a cidadania, a igualdade de direitos e o respeito à diversidade sociocultural, étnico-racial, etária e geracional, de gênero e orientação afetivo-sexual e às pessoas com deficiência.

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(1) consultar o link de acesso ao texto integral do Programa Rio-Escola sem Preconceito.
(2) consultar o link de acesso a toda a documentação que serviu de embasamento às premissas do Programa Rio-Escola Sem Preconceito.

 

*Fontes das imagens:
Eixo 1
http://2.bp.blogspot.com/-gJEPaZImWps/VVnPw0MxT-I/AAAAAAAAMZI/q_YodqMHN4g/s1600/ne-277-diversidade-etnico-racial-01.png
Eixo 2
https://3.bp.blogspot.com/-rHnVuYi0EiE/VyuzaCFCsrI/AAAAAAAANRo/ViVS1wvlThMWwrjU4LbdiFZxgJ1jJYCKwCLcB/s1600/convivencia.jpg
Eixo 3
https://www.scoutlander.com/publicsite/GetImgVlt1.aspx?file=s43bm86yr2120178.jpg

 

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PRODUTOS da MULTIRIO com temas e conceitos valorizados pelo Programa Rio-Escola Sem Preconceito

 

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Momento de reflexão


Você já viu algum judeu dizer que, ele judeu, é descendente de escravo? É óbvio que não. Agora, você já viu algum brasileiro dizer que os negros são descendentes de escravos? Sim. Todos dizem isso.

Pois bem, então faça a comparação e se pergunte pelo motivo da diferença. Os judeus foram utilizados como escravos no Egito por 430 anos. Sem contar outros 70 anos de confinamento na Babilônia. Só que os judeus se identificam como pessoas originárias de um povo livre, anterior à escravidão.

Tal referência foi extraída dos afrodescendentes nas Américas. Por isso, nós brasileiros, aceitamos com naturalidade a tradição de limitar a identidade dos negros como descendentes de escravos. Ninguém se preocupa com a evidência, também óbvia, de que eles eram originalmente livres na África. A preferência é estigmatizá-los como descendentes de escravos. Este é um reducionismo ideológico contra o humanismo.

Todo o pensamento que podemos ter sobre afrodescendentes ficou limitado à fronteira do navio negreiro para cá. Época da humilhação e da miséria. Ninguém fala do antes.

Por J.R.Sant´Ana Do Guia Rio Claro

Texto completo em
https://www.geledes.org.br/negros-nao-sao-descendentes-de-escravos/#gs.htwaK4g

 

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“Projeto Qual é a Graça?”

 

O Programa Rio-Escola Sem Preconceito teve o prazer de contar com a presença do professor Luiz Henrique Rosa, da E. M. 04.31.026 Herbert Moses, em mais uma formação para professores da Rede. Professor de Ciências, ele desenvolve há oito anos o “Projeto Qual é a Graça?”. O Projeto promove uma crítica ao bullying no espaço escolar, contribuindo para uma reflexão sobre a cultura de paz e desenvolve uma atitude crítica às diferentes formas de discriminação racial. O local foi o Museu de Arte do Rio/MAR no dia 28/06/2017 e contou com representantes de 44 escolas, e também, das Gerências de Educação e equipes da Coordenadoria de Educação (E/SUBE/CED). A formação foi bastante elogiada, tendo os docentes solicitado mais encontros dessa natureza, permitindo que ações positivas de outras escolas da Rede, sejam conhecidas.

Jaime Pacheco

 

 

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DIVULGANDO!!

 

O Canal Priscila Xavier no YouTube dispõe de desenhos animados com acessibilidade para crianças cegas e com baixa visão. Para conhece-los acesse

youtube.com/portfolioxavier

 

 

Apresentamos 28 filmes e documentários para debater o racismo disponíveis no YouTube

28 DOCUMENTÁRIOS PARA DEBATER RACISMO

1) Menino 23
https://www.youtube.com/watch?v=4wmraawmw38

2) Chacinas nas periferias
https://www.youtube.com/watch?v=53rQggrAouI

3) The Colour of Money - A História do Racismo e do Escravismo
https://www.youtube.com/watch?v=0NQz2mbaAnc

4) Raça Humana
https://www.youtube.com/watch?v=y_dbLLBPXLo

5) O negro no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=zJAj-wGtoko

6) Ninguém nasce assim
https://www.youtube.com/watch?v=6H_xfUCLWBY

7) Racismo Camuflado no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=zJVPM18bjFY

8) Negro lá, negro cá
https://www.youtube.com/watch?v=xPC16-Srbu4

9) Vidas de Carolina
https://www.youtube.com/watch?v=AkeYwVc2JL0

10) Negros dizeres
https://www.youtube.com/watch?v=yjYtLxiVQ7M

11) Mulher negra
https://www.youtube.com/watch?v=WDgGLJ3TPQU

12) Negro Eu, Negro Você
https://www.youtube.com/watch?v=lpT17VJpnX0

13)A realidade de trabalhadoras domésticas negras e indígenas
https://www.youtube.com/watch?v=s4UsjpFg2Vg

14) Espelho, Espelho Meu!
https://www.youtube.com/watch?v=44SzV2HSNmQ

15) Open Arms, Closed Doors
https://www.youtube.com/watch?v=uXqpOFBXjBs

16) The Brazilian carnival queen deemed 'too black'- A Globeleza que era negra demais
https://www.youtube.com/watch?v=3yp4Fg_eT_c

17) Boa Esperança - minidoc
https://www.youtube.com/watch?v=3NuVBNeQw0I

18) Você faz a diferença
https://vimeo.com/27014017#at=70

19) Memórias do cativeiro
https://www.youtube.com/watch?v=_Hxhf_7wzk0

20) Quilombo São José da Serra
https://www.youtube.com/watch?v=f0asl1-SpP4

21) 7%
https://www.facebook.com/usp7doc/

22) Olhos azuis
https://www.youtube.com/watch?v=In55v3NWHv4

23) Pele Negra, Máscara Branca
https://www.youtube.com/watch?v=sQEwu_TJi0s

24) Introdução ao pensamento de Frantz Fanon
https://www.youtube.com/watch?v=mVFWJPXscm0

25) Invernada dos Negros 
https://www.youtube.com/watch?v=TCyu-Tb6D1o

26) A negação do Brasil
https://www.youtube.com/watch…

27) Sua cor bate na minha
https://www.youtube.com/watch?v=gm-WjcZwgvg

28) História da Resistência Negra no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=68AApIpKuKc

 

 

E-book "Brincadeiras Africanas para Educação Cultural"

Para acessar o e-book, clique na imagem acima

 

O e-book “Brincadeiras Africanas para a Educação Cultural”, de autoria da Profª. Dra. Débora Alfaia da Cunha, com ilustrações da artista visual Odileuza Cunha, é fruto do projeto de extensão universitária em Educação e Ludicidade Africana e Afro-brasileira, da UFPA - Universidade Federal do Pará, Campus Castanhal. O objetivo da obra é socializar o levantamento e a sistematização de informações já disponíveis em obras especializadas e na Web, em sites nacionais e internacionais, sobre jogos populares africanos. A diferença do livro, em relação a outras obras similares, é o forte caráter pedagógico, pois os jogos são apresentados com adaptações para a vivencia em turmas escolares. Inclusive, a adequação das brincadeiras para o uso na educação formal nasce da vivencia lúdica realizada pelo projeto de extensão, de 2011 a 2016, com crianças de diferentes faixas etárias, desde a educação infantil até os anos finais do fundamental. Os aprendizados dessa prática lúdica são incorporados ao livro, permitindo uma transposição didática que ao mesmo tempo que torna a explicação das regras de execução dos jogos acessível ao público em geral, mantem a complexidade do jogo lúdico de matriz africana. A obra segue uma perspectiva teórica crítica, destacando o protagonismo da infância africana na elaboração da cultura lúdica. Destaca ainda a importância do professor como educador intercultural, que possibilita a seus alunos identificar e positivar a ancestralidade africana que fundamenta a cultura brasileira. (Nota da Autora)    

 

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Professora disponibiliza atividades pedagógicas sobre povos indígenas para uso em sala de aula

 

São quatro atividades no total. Material foi produzido como produto final de seu Mestrado Profissional em Práticas em Educação Básica.

Bruno Leal | Agência Café História

A historiadora Rafaela Albergaria, professora de História e Sociologia da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, está disponibilizando para download gratuito a sua dissertação (clique aqui para baixar), defendida em 2016 no âmbito do Mestrado Profissional em Práticas em Educação Básica, do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. O trabalho, intitulado “Compartilhando saberes indígenas” e orientado pela professora Vera Lúcia Bogéa Borges, propõe quatro atividades pedagógicas sobre povos indígenas que podem ser reproduzidas livremente por professores de História de Ensino Médio.

 

Atividades pedagógicas dinamizam trabalho em sala de aula. Foto: Pixabay

 

O trabalho de Albergaria é resultado das reflexões teóricas da professora sobre a temática indígena e aplicadas na prática em diferentes salas de aula do ensino médio em escolas que pertencem à Secretária Estadual de Educação no Rio de Janeiro (SEEDUC) nos anos letivos de 2014 e 2015.

Segundo explica a autora introdução do material,

– o principal objetivo deste produto final do curso é compartilhar as experiências de sala aula com aqueles que atuam como professores ao trabalharem a temática indígena nas aulas de história em um dos segmentos da educação básica. Neste sentido, selecionamos os assuntos referentes à temática indígena em diferentes temporalidades e optamos por trabalhar em primeiro lugar com um tema da contemporaneidade a Aldeia Maracanã) para contribuir com a percepção da história enquanto o diálogo contínuo entre presente e passado. As quatro atividades seguiram determinado formato que, em linhas gerais, pode ser sistematizado com a introdução, a motivação do assunto, a proposta de atividades, a articulação com os demais conteúdos do bimestre, a bibliografia consultada, a filmografia referente ao tema e que pode ser procurada e/ou assistida pelos alunos e a proposição de questões correlatas que possam proporcionar novos debates.

Os títulos das atividades são: (I) A Experiência da Aldeia Maracanã: Os embates na contemporaneidade acerca da temática indígena; (II) A temática indígena nos primórdios da América portuguesa: uma reflexão acerca do desafio para o cumprimento da lei no 11.645/08; (III) Os povos indígenas pelos relatos de viajantes e religiosos na América portuguesa: fontes históricas em debate; (IV) Quarta Atividade Pedagógica: Análise das iconografias dos indígenas no livro didático de história mais distribuído pelo PNLD de 2015 para o Ensino Médio.

Albergaria ainda reune no último capítulo da dissertação várias dicas voltadas para professores interessados na temática indígena: games, blogs, documentários, livros didáticos, filmes, vídeos, laboratórios, centros de pesquisa, músicas, textos e outros materiais que podem ajudar a preparar aulas mais lúdicas e enriquecedoras.

 

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Professores:

Divulguem nesta página as ações que desenvolvem em suas escolas (sejam projetos, atividades, aulas, jogos, entrevistas, dinâmicas, fotografias e outros exemplos), para que possam ser conhecidas por outros professores da Rede Municipal de Ensino. Pode ser sobre a crítica ao bullying, ao racismo, sobre as culturas indígenas , africanas e afro-brasileira, ações de inclusão social, a Educação das Relações Étnico-Raciais, a diversidade, e tudo que se identifica com os temas pertinentes aos três grandes Eixos que orientam o Programa Rio-Escola Sem Preconceito. Os três Eixos citados, podem ser conhecidos verificando o texto-resumo e seus Eixos definidores, nesta página.

 

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Novo Seminário para professor das escolas que estão sendo acompanhadas pela Coordenadoria de Educação (E/SUBE/CED)

Data: 16/08/2017

Local: Museu de Arte do Rio/MAR , Praça Mauá, Nº 5, Centro

Horário: 14h

Tema: O Protagonismo Indígena

Integra a formação, uma visita guiada à Exposição Dja Guata Porã/Rio de Janeiro Indígena 

 

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A historiadora Lilia Schwarcz em artigo sobre o Cais do Valongo, revela a importância da chancela da UNESCO a esse sítio histórico, valorizado enquanto mais um Patrimônio da Humanidade. Localizado na zona portuária do Rio, a titulação atribui ao Cais do Valongo, a condição de “local de memória” tão importante quanto o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, ou a cidade de Hiroshima, no Japão, que receberam o mesmo título da UNESCO.

 

 

Lugares de memória: lembrar para não esquecer

O Cais do Valongo, principal porto de entrada de escravizados das Américas, acaba de receber o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. Não há qualquer compensação financeira, mas a distinção define o Valongo, localizado na região portuária do Rio de Janeiro, como um “lugar de memória”, ao lado de outros, como o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, ou a cidade de Hiroshima, no Japão. Todos esses locais trazem em comum o registro indelével do sofrimento humano, e se transformaram em espaços para lembrar e nunca mais esquecer.

Gostaria, porém, de me deter no caso brasileiro, e no acerto da eleição desse lugar feito de dor e muita persistência. O Brasil recebeu mais de 4 milhões de africanos, durante os (quase) quatro séculos em que foi vigente o regime escravocrata no país. Tal número equivale a um pouco menos do que a metade da população que deixou seu continente de origem, forçadamente, e àqueles que lograram chegar vivos nas Américas, depois de uma viagem repleta de contrariedades. Desse número absoluto, aproximadamente 60% aportaram no Rio de Janeiro, e cerca de um milhão deles entraram no território pelo Cais do Valongo.

Inaugurado em 1811, o cais logo se converteu no principal ponto de desembarque de africanos escravizados das três Américas. Localizado a poucos passos do Palácio Real, não era raro aos monarcas brasileiros ver os africanos, apressadamente desembarcados, sendo separados de suas famílias, limpos, vestidos, pesados, tendo seus corpos untados com óleo de baleia (que encobria as feridas), e marcados a ferro. Já os compradores não se faziam de rogados: apalpavam, verificavam músculos, inspecionavam os corpos. Alguns chegavam a passar a língua “na mercadoria”, para avaliar se o vendedor “esperto” não lhes havia raspado a barba e tentado, assim, esconder a idade. Mulheres também eram examinadas como “produtos” e “objetos sexuais”: seios, órgão genitais, dentes, tudo era “verificado”, e em público

Começava, então, uma nova viagem. Dessa vez, rumo à tentativa de desterritorialização e de inviabilização dos africanos, de quem se procurava apagar a memória, qualquer laivo de identidade e o orgulho que carregavam de suas nações. Se tal projeto não teve sucesso, e a lembrança do passado africano continua viva e se recriando nas Américas, a intenção por parte das elites locais era bastante evidente.

No ano de 1817, havia pelo menos 20 grandes estabelecimentos no Valongo, nos quais mais de mil escravos ficavam expostos. A maioria era do sexo masculino, com idades que variavam entre 6 a 24 anos, com claro predomínio dos africanos adultos. Só em março de 1822, por lá entraram 4.041 africanos. Mulheres e crianças constituíam a minoria dentre os desembarcados, sendo as últimas designadas como crias de peito ou crias de pé. (Continua*)

 

*Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2017/O-Cais-do-Valongo

© 2017 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.


 

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Sobre a Demarcação das Terras Indígenas


A demarcação das terras indígenas corresponde a um direito dessas populações. Conheça o vídeo com o recado musical de diferentes cantores brasileiros em torno desse direito à terra. É um bom material para desmistificar as críticas infundadas contra os direitos das diversas etnias indígenas.

 

 

Para acessar o vídeo na íntegra clique AQUI


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NEAB

No dia 21 de setembro, alguns membros do GT do Programa Rio-Escola Sem Preconceito visitaram a E.M. Clementino Fraga, na 8ª CRE, para uma conversa sobre o NEAB - Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da unidade escolar. A seguir, um relato do Professor Gustavo Pinto.



O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) AYÓ, da Escola Municipal 08.17.057 Clementino Fraga, foi fundado em 10 de abril de 2015. Tem como idealizador o professor Gustavo Pinto, que também atua como coordenador deste espaço.

O núcleo é composto por alunos do 4º e 5º anos, os grandes protagonistas desta ação. As questões a serem discutidas no NEAB são escolhidas através de encontros quinzenais, nos quais são discutidos textos, vídeos, propostas de intervenção e ações do cotidiano escolar que estão implicadas nas questões das relações raciais. Estas atividades são realizadas com a participação da professora Monique Souza, que também atua como co-coordenadora do NEAB em outras turmas da escola.

O objetivo do NEAB AYÓ é buscar a construção a partir do coletivo, essencialmente com as ações que atravessam o espaço escolar, buscando promover a igualdade racial, a eliminação da discriminação e, sobretudo, uma educação para relações raciais.

Visando à co-participação dos professores no ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, as atividades desenvolvidas pelo Núcleo têm contribuído para a efetivação da lei 10.639/03 no currículo da escola, proporcionando um espaço interdisciplinar de discussões sobre a questão racial.

 



 

Coordenação do NEAB AYÓ: Gustavo Pinto Alves da Silva
Co-coordenação do NEAB AYÓ: Monique Souza de Almeida dos Santos e Elisa Simoni da Silva.
Diretora da Unidade Escolar: Rute Xavier de Moraes da Silva

 

 

GT Rio-Escola Sem Preconceito
Jaime Pacheco
Márcia Romualdo
Renata Francis
 

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Nega maluca: black face é racismo!

 

O país do Carnaval é o país da brincadeira. E durante o Carnaval a brincadeira mais aclamada é a “Nega Maluca”. Um homem branco, se veste de mulher negra, pra que as pessoas possam dar risada dele. Sim, porque ser mulher e negra deve ser muito engraçado.

por Stephanie Paes

Mas no país do Carnaval, onde eu estou acostumada a ver a versão brasileira do black face “apenas” durante o Carnaval e talvez durante algumas festas a fantasia, eis que me deparo com a versão extravagante da chacota no meio da Marcha das Vadias, em Curitiba. O responsável me disse se tratar de uma homenagem, uma representação. E é aqui que eu, enquanto mulher negra quero ensinar uma coisa a todos os homens brancos que acreditam serem capazes de me representar.

 

Você sabe o que é ser mulher? Você sabe o que é ser mulher negra?

 

Saiba mais lendo o teto na integra. 

 

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