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Quarta-feira, 27/07/2011

Leôncio Correia, Patrono de uma Escola Municipal na Ilha de Guaratiba

Tags: 10ªcre, patronos.

 

 

Retrato do Patrono, LEÔNCIO CORREIA, reprodução do original existente na sala da direção da escola 10.26.04, da 10ª Coordenadoria Regional de Educação. (Segundo informou-me a professora Maria de Fátima Faria Andrade, encarregada da Secretaria da escola, o retrato deverá passar por um processo de restauração)

 

Estive visitando a Escola Municipal 10.26.04 Leôncio Correia no dia 13 de julho de 2011. Era uma quarta-feira, e os professores encontravam-se reunidos com a equipe da direção, em conselho de classe.


Na Avenida Gaspar de Lemos, bem antes de chegar à escola, surpreendi-me com um tropeiro conduzindo quatro muares carregados de alguma mercadoria que não pude precisar do que se tratava.


Se não fosse a correria contra o tempo, já havia agendado outra visita, deveria ter parado, fotografado e trocado um dedo de prosa com aquele trabalhador tão peculiar da Ilha de Guaratiba, que ainda é uma região predominantemente rural.


Aliás, sobre a comunidade denominada Ilha de Guaratiba, há lendas e histórias pitorescas que procuram explicar a origem do nome.


Uns dizem que, em tempos remotos, havia, de fato, uma ilha fluvial naquela localidade, mas a versão popular é mais categórica quando afirma que o nome “Ilha de Guaratiba”, surgiu a partir da pronúncia dos moradores, do nome de um dos maiores proprietários de sítios da região, que se chamava William. “O “seu” William, de Guaratiba”, passou a ser abreviado como “Wilha de Guaratiba”, chegando à Ilha de Guaratiba. Pode ser.


É uma escola bastante antiga. Acabou de completar 78 anos! Lendo um pequeno resumo histórico verifico que foi fundada em 2 de maio de 1933, na administração do professor Anísio Teixeira, então diretor de Instrução da Educação Primária do Distrito Federal.
 

Fachada principal da Escola Municipal Leôncio Correia, na Avenida Gaspar de Lemos, 342, Ilha de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O prédio, que era uma antiga residência, foi alugado ao Estado pelo Sr. José dos Santos Rodrigues, que morava na parte térrea. Posteriormente foi doado ao governo, passando a funcionar como escola, com cinco salas de aula. Em 1986 foram construídas mais duas salas. Foto tirada no dia da visita que fiz para o Rioeduca, em 13 de julho de 2011, com a equipe da direção e professores na escada de acesso ao segundo piso.

 

No resumo histórico assinado por Silvia Regina de Mesquita da Silva, datado de 4 de setembro de 1990, quando dirigia a escola, consta que o a designação de Leôncio Correia como Patrono ocorreu em 18 de agosto de 1954, pois antes era conhecida apenas como “12ª Escola do 26º Distrito”.


Quem foi Leôncio Correia?


No “Pequeno Histórico” redigido pela professora Silvia Regina, anteriormente citado, consta o seguinte trecho:


“O Patrono da Escola, LEÔNCIO CORREIA (1865-1950), político e poeta brasileiro, sempre se distinguiu por seu amor às plantas e foi um dos criadores do “Dia da Árvore”. Seu nome foi dado à Escola em 10 de agosto de 1954.”
 

 

Retrato de Leôncio Correia ainda jovem, pertencente à galeria de personagens do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, do qual ele fez parte como membro efetivo.

 

Pesquisando um pouco mais sobre o Patrono da Escola Municipal 10.26.04, encontro preciosas informações na Tese de Doutorado da professora Sílvia Gomes Bento de Mello, para o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Santa Catarina, intitulada “Esses moços do Paraná... Livre circulação da palavra nos albores da República”, apresentada em Florianópolis, em fevereiro de 2008.


Também na “Dissertação do Mestrado”, de Amélia Siegel Corrêa, intitulada “Imprensa e Política no Paraná: Prosopografia dos redatores e pensamento republicano no final do século XIX”, apresentada no Programa de Pós-Graduação em Sociologia, no Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná.


Pelos textos acadêmicos citados é possível constatar que Leôncio Correia foi “figura das mais significativas do ambiente intelectual que se forma em Curitiba no final do século XIX”, conforme escreveu Silvia Gomes Bento de Mello, na tese acima mencionada.
 

Folha Filatélica com o selo comemorativo do Centenário de Nascimento de Leôncio Correia (1865-1965), lançado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e hoje considerada uma raridade, pelos filatelistas.

 

Há outras alentadas biografias, que também procuram destacar a produção literária de Leôncio Correia e estabelecer o vínculo do seu nome com instituições espíritas, já que ele foi presidente da Liga Espírita do Brasil, mais tarde denominada “Liga Espírita do Estado da Guanabara”.


Do texto de Amélia Siegel, que fala sobre “Origem Social, Formação e Processos de Socialização”, consta que “Leôncio Correia nasceu numa das principais famílias do litoral (do Paraná), cujo tronco iniciou-se no século XVII com o português Manoel Francisco Correia, conhecido como Correia Velho.


“João Ferreira Correia, pai de Leôncio, morreu aos 33 anos, deixando o filho, nascido em 1865, órfão aos seis anos. Foi acolhido pelos tios, personagens célebres do campo político local e nacional, tendo tido como patrono o Comendador Ildefonso Pereira Correia, principal empresário ervateiro do estado (do Paraná) e irmão do Senador Correia, alto funcionário do Império e com ampla inserção na Corte” - tudo transcrito da dissertação de Amélia Siegel.
 

Capa do livro de autoria de Leôncio Correia sobre a biografia do seu tio e antigo tutor Ildefonso Pereira Correia, principal empresário ervateiro do estado do Paraná, homenageado com o título de Barão do Serro Azul.

 

Leôncio Correia também destacou-se como poeta, político e jornalista, tendo assumido o cargo de Diretor Geral da Instrução Pública Municipal, no início do século XX, sendo nomeado, em 1913, Diretor Geral da Imprensa Nacional e do Diário Oficial.


Ainda transcrevendo trechos da dissertação de Amélia Siegel, destacamos sobre o Patrono da Escola Municipal 10.26.04:


“Seu itinerário biográfico demonstra o espaço político privilegiado que um descendente das oligarquias locais teve no Paraná e no Rio de Janeiro, centro do poder político do país, valendo-se dele para realizar os jogos políticos de seu interesse no Paraná. Nascido numa das famílias mais importantes do Paraná do século XIX e início do XX, Leôncio Correia estava inserido nas redes de interdependência que configuraram o poder político do Paraná por muitos anos. Mais que isso. Valeu-se de um excelente sendo de oportunidades e inseriu-se no campo político nacional com relativo êxito, consagrou-se como jornalista e ainda pôde exercer suas aptidões literárias, escrevendo e publicando suas poesias.

 

Algumas obras literárias de autoria de Leôncio Correia, publicadas pelo Governo do Estado do Paraná.
 

“Aprendeu com isso a jogar em várias frentes, “tendo convivido com escritores e políticos, com soldados e poetas, no Rio ou no seu querido Paraná”, conforme escreveu Edgar de Alencar, no livro “O suave e ameno historiador”, Edições Prata de Casa, Curitiba, 1957.


Leôncio Correia morreu no Rio de Janeiro em 1950.
 

                                          

 

 

 


   
           



   
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Comentários
Belo trabalho. Eu morei nessa escola entre 1976 e 1978. Meu pai era policial e na época policiais eram colocados para morar em escolas.

Postado por Marco Antonio Nicolau em 29/10/2011 22:18

li tudo sobre Leôncio Correia, faltou citar o lugar onde ele nasceu. não sei porque omitiram o nome da cidade, pois bem a cidade onde ele nasceu é Paranaguá, litoral do paraná, berço da civilização paranaense.

Postado por moises Osiris da Costa Soares em 12/11/2011 10:49