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Dicas, prática pedagógica, troca de experiências.
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Quinta-feira, 16/08/2012

Professora por Vocação

Tags: 7ªcre.

 


Carolina Albuquerque é professora de Inglês da rede municipal de ensino desde março. No entanto, já atuava anteriormente em escolas e cursos particulares. Sua vocação para ser professora vem da infância, quando uma das suas brincadeiras favoritas era brincar de escolinha.

 

 

 

 

A professora Carolina Albuquerque trabalha atualmente em duas escolas da rede: E. M. Embaixador Dias Carneiro, com turmas de 6º, 7º e 8º anos e na  E.M. Avertano Rocha, com turmas do primeiro segmento do Ensino Fundamental. Em entrevista ao Rioeduca, ela contou que em 2005, logo após o nascimento de sua filha, conversou com sua mãe e disse que tinha vontade mesmo de ser professora, que se sentia incompleta na área do Direito, onde se formou inicialmente.

 

Sobre a vocação para o magistério, Carolina lembra dos tempos de infância e relata que havia uma biblioteca no prédio em que  morava e que ela  e alguns amigos gostavam de preparar aulas e ensinar as crianças mais novas. "Sempre gostei muito da língua portuguesa, porém aos 17 anos optei por fazer vestibular para Direito por ser uma carreira que eu admiro e poderia utilizar o Português de que tanto gosto." 

 

Segundo a professora, o que  realmente gostava era de passar  um pouco do seu conhecimento a outras pessoas e assim contribuir e acrescentar. Antes, já havia dado aulas particulares de Língua Portuguesa e de matemática, preparando uma aluna para o concurso do Colégio Militar. Seguindo o conselho da mãe, Carolina se licenciou então em Letras – Português/Inglês.

 

 Momentos Marcantes no Magistério

 

 

 

 

 

Continuando a entrevista, o Rioeduca perguntou:

 

Como faz o planejamento das suas aulas? Quais os recursos pedagógicos que costuma utilizar?  Como utiliza as novas tecnologias em suas aulas?

 

Tenho um cronograma em um caderno com o que pretendo fazer em cada dia. Planejo minhas aulas utilizando muito a internet e os sites da Educopedia e da Learning Factory. Como sou professora de Inglês tenho muitos recursos disponíveis para o ensino da língua na internet. Procuro mostrar a real aplicabilidade da língua inglesa para eles, levando músicas e até poemas de escritores da literatura americana como Edgar Allan Poe. Criei um grupo no Facebook intitulado “Grupo de Inglês Embaixador Dias Carneiro”. Lá, posto videoclipes, poemas, pensamentos, reportagens e links de sites de ensino da língua inglesa.

 


Quais as últimas mudanças significativas positivas que vê na Educação Carioca?


 

A implementação de recursos tecnológicos tanto nas salas de aula quanto a criação do site Educopedia é uma mudança necessária devido a nossa realidade e a globalização. O fim da aprovação automática também é outra mudança significativa para a Educação. O aluno precisa sentir que terá uma punição caso ele não acompanhe a disciplina e a conduta escolar. Precisa saber que tem que estudar e aí fazer a parte dele para alcançar os resultados. Não adianta passar a mão na cabeça deles, pois a vida não é assim. Nós, enquanto adultos, se não desempenharmos bem nossa função em nosso emprego, não somos dispensados?


 

Qual o maior desafio que enfrenta/enfrentou enquanto professora? Como costuma lidar com esses desafios? Como tem sido sua experiência como professora da rede municipal?

 

Minha experiência tem sido por demais proveitosa. Cada dia aprendo um pouco mais com meus alunos. Aprendo a ser paciente, a saber ouvir, bem como a dar limites muitas vezes.  Há dias que é muito difícil, muito desgastante, onde perco a paciência mesmo! Porém, a realidade de muitos deles é dura. Crianças e adolescentes que passam e vivem situações inimagináveis para alguns de nós. Não justifica, mas explica um mau comportamento, uma agressividade maior por parte de algum aluno. É aí que tento ter jogo de cintura. Enfrento desafios todos os dias. Manter uma turma de crianças e adolescentes controlada e convivendo pacificamente em uma sala é complicado. Citando um exemplo: tenho uma aluna que tinha mania de bater nos meninos. Toda aula algum deles reclamava que havia apanhado dela. Parei a aula e a chamei para conversar do lado de fora da sala. Disse-lhe que não é só  por que ela é menina pode ficar batendo nos garotos, pois uma hora um deles vai se irritar e acabar revidando. Perguntei se ela achava certo homem que agride mulher. Claro que ela disse que não. E falei a ela: pois você está fazendo o mesmo com eles! Até agora, não recebi mais reclamação de ninguém apanhando dela...  

 

Ao expor sua opinião em uma rede social, há alguns dias atrás, gerando quase 300 comentários, dizendo que ... “professor tem que saber lidar com situações, ter jogo de cintura, ser mediador, apaziguar ânimos... EDUCAR, além de ensinar. A educação não vem só de casa, não, como muitos dizem..." Qual seria o papel efetivamente dos responsáveis na educação/ensino dos filhos na escola? E dos professores?

 


Educar é difícil e dá muito trabalho. E isso quando se trata de nossos próprios filhos. Imagina participar da educação de crianças que não são nossos filhos? É uma tarefa dura, árdua e que gera uma responsabilidade dobrada. Nos dias atuais, muitos pais e mães passam o dia fora de casa trabalhando, e muitas crianças acabam ficando sozinhas em casa ou com irmãos/irmãs mais velhos. Ao chegar à escola, vão querer procurar chamar atenção, pois não a tem dentro de casa. Procuro olhar para os meus alunos como indivíduos únicos que são, e não como apenas mais um número na chamada. São 40, 50 pessoas dentro de uma sala, com personalidades diferentes, histórias de vida diferentes tendo que conviver uns com os outros da maneira mais harmônica possível, durante 4 horas e meia, 5 dias na semana. E eu estou inserida nesse meio. Acho que seria hipocrisia da minha parte apenas estar ali para ensinar. Presenciar uma má conduta e me calar, por ser a educação, apenas dever da família. Por isso, acredito que a família em conjunto com a escola deve educar, sim. Não acho válido esse jogo de empurra-empurra: a escola diz que educar é dever da família, e a família diz que a educação é obrigação da escola. Tanto as famílias quanto a escola devem estar em sintonia para que o prejudicado não seja nossos alunos. Realmente, muitos alunos não recebem qualquer tipo de orientação da família. Aí é que a escola deveria ter um papel reforçado, não só com o trabalho dos professores, mas de psicólogos e psicopedagogos. Do contrário, enquanto os dois lados quiserem lavar suas mãos e nada fazer, crianças e adolescentes crescem sem qualquer tipo de orientação, achando que podem fazer o que querem, na hora que querem, falar da maneira que quiserem, achando que são donos do mundo.


 

O que considera importante para o professor ser bem sucedido e realizado em sua profissão?

 

Assim como em toda e qualquer profissão, um professor precisa de reconhecimento. Precisa ser valorizado. Precisa de apoio e suporte de seus superiores para desempenhar bem sua função. Precisa de locais adequadas para trabalhar. Precisa ser respeitado. Precisa de bons salários para se sentir estimulado e recompensado pelo que faz. Isso tanto na rede pública quanto na privada. Hoje em dia ouço dizer que para ser professor, é só por vocação, já que o salário não compensa. Um professor para conseguir pagar suas contas no final do mês e ter o mínimo desejável acaba trabalhando muito mais que 40 horas semanais, como é de regra. Professor trabalha, além de tudo, em casa, preparando aula, formulando provas e corrigindo-as. E aí me pergunto: será que decidi ser professora por vocação mesmo? Sim, foi. Quando escolhi essa profissão sabia de todos os contras que ela tem. Sabia do salário baixo, fazia uma ideia de como era o comportamento dos alunos... Todos que permanecem como professores são por que realmente amam o que fazem. Ninguém aguentaria passar por tudo isso sem amar muito. Sem ter vocação. Só que isso não significa aceitar ser desvalorizado, desmerecido ou desrespeitado. Já disse uma vez e volto a repetir: na minha opinião, quem deveria ter o maior salário de um país deveriam ser as professoras de ensino fundamental I. Aquelas que nos ensinaram, a todos, a ler e escrever. Que nos ensinaram que devemos emprestar nossos brinquedos aos colegas. Que não devemos fazer fofoca do colega. Que não se resolve as coisas brigando... Que nos educaram também!

 


Pensando em futuro, como vê e o que espera da Educação?

 


 Procuro me manter otimista e acreditar que teremos uma Educação exemplar a ser seguida em muitos países. Ideias existem aos montes, as melhores possíveis. Precisa-se é adaptá-las á realidade não só carioca, mas brasileira. Precisamos de ordem e método. Nossos professores são guerreiros. Escolheram essa profissão por amor, sim. Muitos são especializados, possuem pós-graduação, mestrado, doutorado, certificados internacionais. Nossos professores não são acomodados. Porém não são incentivados e estimulados. Hoje parece que o professor carrega a culpa de tudo de ruim que acontece. E já que isso acontece e ele não é valorizado, vira um círculo vicioso. Não adianta tampar o sol com a peneira. Os números hoje não refletem a realidade. O nível dos alunos ainda está muito baixo. O desenvolvimento dos professores, a meu ver, é uma das condições para o desenvolvimento de uma escola. Não adianta fazer reformas, inovações, aplicar toda tecnologia disponível no mundo em sala de aula sem investir na mão de obra primordial que fará com que  tudo se encaixe e progrida: o professor.

 

 



 

  

 

 

 

 

  

 

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 Roberta Vitagliano

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