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Quinta-feira, 03/12/2015

Fab Labs - Novo Conceito de Laboratórios Abertos

Tags: inovação, professores, tecnologias.

 

 

 

 

 

Conheça o Fab Lab, uma maneira de dinamizar o uso de novas tecnologias. A Heloisa conta sobre esse tipo de trabalho.

 

 

 

RIOEDUCA: Qual é a principal proposta dos Fab Labs? Como começou?

HELOISA NEVES: Um Fab Lab (abreviação do termo em inglês fabrication laboratory) é uma plataforma de prototipagem rápida de objetos físicos e está inserido em uma rede mundial de três centenas de laboratórios: dos Estados Unidos ao Afeganistão, da Noruega à Gana, de Costa Rica à Holanda.

Ele se destina aos empreendedores que querem passar mais rapidamente da fase do conceito ao protótipo; aos designers, aos artistas e aos estudantes que desejam experimentar e enriquecer seus conhecimentos práticos em eletrônica, em CAD/CAM1, e também aos makers2 e hackers3 do século XXI.

Um Fab Lab agrupa um conjunto de máquinas por comando numérico de nível profissional, porém de baixo custo, seguindo um padrão tipológico. São exemplos: uma máquina de corte a laser capaz de produzir estruturas 2D e 3D, uma máquina de corte de vinil que fabrica antenas e circuitos flexíveis, uma fresadora de alta resolução para fabricar circuitos impressos e moldes, uma outra maior para criar peças grandes. Há também componentes eletrônicos múltiplos, bem como ferramentas de programação associadas a micro controladores abertos, de baixo custo e eficientes. Estes dispositivos são controlados por meio de um software comum de concepção e fabricação assistida por computador. Os outros sistemas mais avançados, tais como as impressoras 3D, podem igualmente equipar certos Fab Labs.

Apesar das máquinas de comando numérico serem uma grande atração nos Fab Labs, a característica principal desse laboratório é sua “abertura”. Contrariamente aos laboratórios tradicionais de prototipagem rápida que podem ser encontradas em empresas, em centros especializados dedicados aos profissionais ou universidades, os Fab Labs são abertos a todos, sem distinção de prática, diploma, projeto ou uso. Eles se inscrevem no movimento do “terceiro lugar”4 e nos mecanismos de trabalho colaborativo da internet e, em particular, da web 2.0. Os mecanismos de troca, de peer-to-peer5, de colaboração, de cooperação, de interdisciplinaridade, de compartilhamento, de aprendizagem através da prática, do “do it yourself6, de práticas inovadoras ascendentes e comunitárias são favorecidas e encorajadas. Tal abertura, chave do sucesso e da popularidade dos Fab Labs, facilita os encontros, o acaso e o desenvolvimento de métodos inovadores para o cruzamento de competências. Esses espaços abertos a todos e acessível (tarifas baixas ou, mesmo, o acesso livre) favorece a redução de barreiras à inovação e à constituição de um terreno fértil à inovação.

O primeiro Fab Lab surgiu no Massachusetts Institute of Technology (MIT)7, mais especificamente no laboratório interdisciplinar chamado Center for Bits and Atoms (CBA)8 fundado em 2001 pela National Science Foundation (NSF)9. Esse ambicioso centro de pesquisa tem como objetivo o interesse pela revolução digital e, em particular, pela fabricação digital, cujas evoluções poderiam, eventualmente, produzir ferramentas capazes de unir a matéria ao nível atômico. Os Fab Labs10 são para o CBA o componente educacional de sensibilização à fabricação digital e pessoal, democratizando a concepção das tecnologias e das técnicas e não somente o consumo.

O primeiro Fab Lab foi implantado no CBA sob a liderança de Neil Gershenfeld11, professor e diretor do CBA, vinculado ao célebre MIT Media Lab. Seus campos de pesquisa são bastante interdisciplinares, da física à computação quântica, da nanotecnologia à fabricação pessoal. Durante seu discurso na conferencia TED 200612, Gershenfeld retorna à gênese dos Fab Labs: “a fim de trabalhar questões de fabricação digital, o CBA obteve um financiamento importante para compra de máquinas capazes de fabricar qualquer coisa em qualquer escala. Eu passei muito tempo ensinando aos estudantes como usar as ferramentas. Para facilitar esse processo, criei um curso intitulado “How to Make Almost Anything” (tradução: "como fazer quase qualquer coisa"). Estudantes de todos os cursos apareceram. Eles não possuíam necessariamente as habilidades técnicas, mas todos eles produziram resultados incríveis, surpreendentes. E eu percebi que o “killer product” (aquele que desencadeia o surgimento de um mercado) da fabricação pessoal é o produto que trata de um mercado de uma pessoa. Não há necessidade de proceder a tais dispositivos para fabricar um produto que encontramos na grande distribuição, mas eles são úteis para fabricar o que é único. Os estudantes, portanto, inverteram as máquinas para inventar a fabricação pessoal (...).”

Nesse contexto e, além do espaço da universidade, os Fab Labs foram criados seguindo um modelo que provém da internet, mais especificamente da web colaborativa 2.0, que auxiliou na democratização das ferramentas de compartilhamento, de edição, criação e deu a permissão ao usuário de se transformar em “ator” do processo.13

 

Neste sentido, os Fab Labs devem responder a algumas questões:

  • Ser vetor de empoderamento, de implementação de capacidade, ser um organismo ativo;
     
  • Voltar à aprendizagem da prática da tecnologia (o fazer) na criação de protótipos, permitindo espaço para o erro de forma incremental, e no privilégio das abordagens colaborativas e transdisciplinares;
     
  • Responder aos problemas e questões locais, em particular nos países em desenvolvimento, apoiando-se na rede internacional;
     
  • Valorizar e pôr em prática a inovação ascendente;
     
  • Ajudar a incubar empresas para facilitação de processos.
     


O conceito de Fab Lab foi criado inicialmente pelo CBA-MIT e financiado em parte pela NSF emancipou e desenvolveu-se internacionalmente, independente do seu criador. De acordo com Gershenfeld, o número de laboratórios dobra todos os anos.14 Hoje, a página web oficial da rede Fab Lab conta com aproximadamente 600 laboratórios (em operação e/ou planejamento).  

 

Mapa da rede mundial de Fab Lab.

 

A dimensão “rede” está inscrita na essência do Fab Lab por diversos motivos.


Primeiramente, os Fab Labs seguem a internet e, como tal, são formidáveis plataformas de inovação colaborativa. Em segundo lugar, facilitam sobremaneira a abertura, a conexão entre pessoas e organizações, as trocas e os cruzamentos entre os membros que o utilizam.

Além disso, o kit padrão de máquinas por comando numérico comum aos diferentes Fab Labs permite replicar processos desenvolvidos em qualquer laboratório, independentemente de sua localização. Essa singularidade tecnológica permite e facilita o compartilhamento do conhecimento e do saber. Vale ressaltar que essas trocas não são dirigidas unicamente sobre um eixo global norte-sul, apresentando múltiplos vetores horizontais. A rede desenvolveu uma comunidade mundial alimentada pelas especificidades culturais, técnicas, econômicas e sociais. A criação de um projeto colaborativo se dá em função de competências locais disponíveis, sendo que todos os interessados participam na realização de alguma tarefa. Uma vez prototipado o objeto e testados os processos, o projeto pode facilmente ser replicado pelos outros Fab Labs da rede.


Para atuar em rede, os Fab Labs compartilham os mesmos princípios e processos. Mais do que um espaço com máquinas, são laboratórios feitos por pessoas, abertos à experimentação e troca de ideias.


ABERTURA: Primeiro ponto e o mais importante: a abertura do Fab Lab ao público é essencial. Um Fab Lab tem como objetivo democratizar o acesso às ferramentas e máquinas para permitir a invenção e as expressões pessoais. O Fab Lab deve ser aberto ao público, gratuitamente ou em troca de serviços (auxílio nas rotinas diárias, formação, palestras, workshops, etc) ao menos uma vez por semana.


CARTA DE PRINCÍPIOS: Os Fab Labs seguem a Fab Charter, uma carta de princípios que deve ser afixada no espaço de cada Fab Lab e em seus respectivos sites.


MÁQUINAS E PROCESSOS: Os Fab Labs devem compartilhar ferramentas e processos comuns. Ser apenas um laboratório de prototipagem ou simplesmente possuir uma impressora 3D não é o equivalente a um Fab Lab. Os laboratórios compartilham o conhecimento, o saber, os arquivos, a documentação e colaboram uns com os outros local e internacionalmente. Se um Fab Lab fabrica algum objeto em Boston, por exemplo, e envia os arquivos e a documentação necessária, você deve poder reproduzi-lo facilmente em qualquer outro Fab Lab do mundo.


REDE FAB LAB: Você deve participar ativamente da rede de Fab Labs, não permanecendo isolado, mas, sim, fazendo parte de uma comunidade de compartilhamento de conhecimento. A vídeo conferência é uma das ferramentas para entrar em contato com outros Fab Labs, assim como participar dos encontros anuais, colaborar e realizar parcerias através de workshops, projetos, concursos com outros Fab Labs.
 


1. Em inglês: CAD (Computer Aided Design - Projeto Assistido por Computador) e CAM (Computer Aided Manufacturing - Fabricação Assistida por Computador)

2. Maker: um maker é a pessoa que faz ou fabrica os objetos com suas próprias mãos, desenvolvendo todo o processo. Está relacionado com o movimento DIY (do it yourself – faça você mesmo). É um conceito antigo, mas que passou a ter grande importância com a surgimento dos novos espaços de produção desencadeados com a revolução digital.

3. Hacker é um indivíduo que se dedica, com intensidade incomum, a conhecer e modificar os aspectos mais internos de dispositivos, programas e redes de computadores.

4. Verificar sobre o conceito de “terceiro lugar” no livro de referência do sociólogo americano Ray Oldenburg, The Great Good 5. Place: Cafes, Coffee Shops, Community Center, Beauty Parlors, General Stores, Bars, Hangouts and How They Get You Through the Day. EUA: Paragon House, 1989.

5. "Par a par ou ponto a ponto", na tradução ao português.

6. "Faça você mesmo", na tradução ao português.

7. Para maiores detalhes, ver: www.web.mit.edu.

8. Para maiores detalhes, ver: www.cba.mit.edu.

9. Para maiores detalhes, ver: www.nsf.gov.

10. Para maiores detalhes, ver: www.fab.cba.mit.edu.

11. Para maiores detalhes, ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Neil_Gershenfeld.

12. Para maiores detalhes, ver: http://www.ted.com/talks/neil_gershenfeld_on_fab_labs.html.

13. Para maiores detalhes, ver: http://fab6.nl.

14. Para maiores detalhes, ver: https://vimeo.com/25814127.

 


 

RIOEDUCA: O Fab lab é viável em uma grande rede pública?

HELOISA NEVES: Fab Labs são realmente para serem trabalhados em rede. Para uma rede pública, eu tentaria implementar hubs, ou seja, laboratórios geograficamente bem localizados e que possam ser utilizados por várias escolas ao mesmo tempo. Nao faz sentido cada escola ter o seu porque a grande vantagem de um Fab Lab é fazer junto, colaborativamente. O ensino tem muito a ganhar se a dimensão da rede também se expandir para os laboratórios das escolas, tornando-os mais compartilháveis, pois, num ambiente assim, as ideias surgem mais facilmente, se aprende mais e obtêm-se olhares mais diferentes sobre o mesmo assunto. Outro ponto importante, quando pensamos em hubs, é o fator custo. Um Fab Lab tem um custo inicial de abertura de 800K, incluindo máquinas, consumíveis, treinamentos e salários para equipe durante o primeiro ano. Por ser um custo mais elevado, faz sentido que várias escolas possam se beneficiar dele.

 

RIOEDUCA: Qual a dica para um(a) professor(a) iniciar um Fab lab na sua escola?

HELOISA NEVES: Comece com uma atitude maker. Mais do que máquinas, o movimento maker traz consigo um novo jeito de “fazer”. Se o professor entender as bases conceituais do movimento, ele pode aplicá-las em qualquer lugar, inclusive dentro da sala de aula. Para exemplificar, quando um professor deixa seu posto de “pessoa que sabe tudo” e passa a ser o facilitador dos alunos, ajudando-os a compreender coisas que nem ele sabe, ele se torna um maker. Quando um professor usa uma rede de contatos e coloca seus alunos para aprender com essa rede e com os próprios colegas, ele esta sendo maker. Quando um professor acolhe um projeto pessoal de um aluno e o ajuda a entender como seguir adiante, também está começando ali a plantar uma sementinha do que pode vir a ser um Fab Lab. Um Fab Lab é bastante conhecido como um lab de máquinas, mas, sem pessoas e suas atitudes, as máquinas nao servem para nada. Claro que é importante conhecer as novas tecnologias, e acho que criar um laboratório físico é importante. Porém, uma coisa nao anda sem a outra. Tecnologia pela tecnologia não traz inovação e uma educação melhor. Professores makers com acesso à tecnologia podem revolucionar o mundo.

 

RIOEDUCA: Que competências são desenvolvidas no espaço de um Fab Lab ?

HELOISA NEVES: As que mais se sobressaem são competências que, às vezes, ficam um pouco distantes do universo educacional: inovação, criatividade, autonomia, empoderamento, empreendedorismo.

 

RIOEDUCA: As redes públicas caminham em direção à educação integral. Como os Fabs Labs podem melhorar a experiência escolar do aluno nessa modalidade?

HELOISA NEVES: Os Fab Labs vêm atuando no mundo todo no contraturno e em projetos especais. Esse foi o caminho encontrado para que pudéssemos entrar nas escolas. Os EUA já possuem hoje um currículo e as escolas que se baseiam totalmente no movimento maker, mas ainda há um longo caminho para que o cerne da educação se transforme. E o caminho é longo exatamente por conta do que falei acima, precisamos de professores makers e não somente de máquinas. Comprar máquinas é fácil e rápido, quando se tem dinheiro. Mas, empoderar professores, acolhê-os dentro do mundo maker e dar a eles espaço e apoio as suas dificuldades talvez seja a tarefa mais difícil e a que demora mais. Portanto, acho que vale a pena começar pequeno, construindo bases fortes, ainda que no contraturno e em projetos especiais. Dessa primeira ação, outras irão surgindo pela própria iniciativa dos alunos e professores. É totalmente bottom-up e, por isso, seja tão difícil e tão delicioso.

 


HELOISA NEVES:

Criadora da empresa WE FAB (que conecta movimento maker com inovação através de sua metodologia Maker Innovation), professora de Design para o curso de Engenharia do Insper, e coordenadora do Insper Fab Lab. Vem trabalhando com o universo maker desde que decidiu tirar um ano sabático e realizar o curso Fab Academy no Fab Lab Barcelona. Desde aí, implementou vários laboratórios makers e Fab Labs, e auxiliou empresas e outras instituições a implementar uma cultura mais focada no hands-on, colaboração e agilidade.
 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Quinta-feira, 02/07/2015

Ensino de Programação de Computadores para Crianças e Jovens

Tags: professor, inovação, tecnologia, programação.

 

 

Em 2013, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participou de um evento de incentivo ao estudo da Ciência da Computação. Nesse evento, o presidente fez um discurso direto, com forte apelo patriótico, afirmando que o conhecimento da ciência da computação “não é uma habilidade somente importante para o futuro do jovens, mas para o futuro do país”.

Ele declarou que, “se quisermos um país que esteja na vanguarda, precisamos de jovens que dominem as ferramentas e a tecnologia, que mudarão o jeito de como fazemos as coisas”.

Por fim, solicitou expressamente:

 

“Peço a você que se envolva. Não compre apenas um novo videogame, crie um. Não baixe um aplicativo. Ajude a desenvolvê-lo. Não apenas brinque em seu celular, mas programe-o.”

 

 

 

Por sua vez, a Inglaterra, de forma não muito diferente, passou também a incentivar o estudo da Ciência da Computação. A partir deste ano, 2015, o país inseriu no currículo das escolas públicas o ensino de programação de computadores para crianças a partir de 5 anos.
 

Mas por que tanto incentivo ao estudo da Ciência da Computação? 
 

A resposta se encontra em um vídeo produzido pela CODE.ORG (entidade sem fins lucrativos que incentiva o estudo da programação com vídeos on-line gratuitos), no qual informa que um milhão dos melhores empregos dos Estados Unidos nos próximos anos não serão preenchidos, porque apenas uma entre dez escolas ensina programação.
 

E como fica o Brasil nesse contexto?
 

Ao contrário dos países citados, no Brasil o estudo da computação não é ainda incentivado. Além disso, as ofertas de emprego para programadores não são tão atrativas nem possuem altos salários.

No entanto, observando os acontecimentos em outros países, percebemos que o estudo da Ciência da Computação é uma tendência mundial e um caminho que não pode ser evitado.

 

E como nós, brasileiros, devemos atuar no presente momento?
 

A atuação, nesse momento, é um desafio a ser desvendado por nós, professores, pois o caminho está totalmente aberto.

Acredito que o início do processo de inserção dos nossos jovens nessa área deve ser a utilização de ferramentas que estão começando a ser disponibilizadas gratuitamente na internet por entidades que visam o incentivo ao estudo dessa nova ciência.
 

A exemplo, vale a pena consultar o site do “code.org”. Nele há inúmeros vídeos gratuitos de entrevistas com programadores famosos que relatam suas próprias experiências, além de ensinar princípios básicos da programação. Para isso, basta digitar code.org em seu navegador predileto e preparar-se para se deliciar com o conteúdo.   

 


 

Glaucia Lima é professora do Centro Cultural do Colégio Franco Brasileiro no “Curso de Programação de Games para Crianças e Jovens”, sendo formanda da Full Sail University no curso de “Game Arts”. 

 

 

 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Quarta-feira, 03/06/2015

Coaching na Educação

Tags: professor, inovação, tecnologia, transformação3.0.

 

 

Contexto, Aplicação e Possibilidades para Professores e Gestores Educacionais

Recebi um poderoso desafio: Escrever um artigo com apenas 2 mil caracteres esclarecendo como o Coaching potencializa as ações dos professores e gestores educacionais na escola de educação básica. Desafio aceito! Isto significa colocar o professor como ator principal no processo de potencialização de desenvolvimento de competências docentes. O processo de coaching instiga o docente e o gestor a viver a sua melhor versão, utilizando ferramentas e técnicas que os colocam como sujeitos do próprio aprendizado. Entre outros benefícios destaca-se o desenvolvimento e aplicação de técnicas de ensino e aprendizagem, o aperfeiçoamento e potencialização de pontos fortes, além de buscar por aprofundamento no conhecimento sobre processos cognitivos humanos.


Vamos lá, desafio aceito!


“Uma das coisas que aprendi nestes quase 40 anos na teia educacional é que quando o professor entra na sala de aula e fecha a porta, não importa quem seja o secretário de educação ou qual seja o currículo. Na hora de dar aula, ele vai acabar fazendo o que preferir. A tarefa, então, é fazer com que ele se sinta envolvido para que faça o que gostaríamos que fizesse. No final, tudo depende dele”, afirma Eric Nadelstern, ao explicar por que a Reforma de Nova York se preocupou em criar sistemas de apoio presencial ao professor em sala de aula.

O sistema ainda está longe de ter conseguido envolver a maioria de seus professores. Mas, de fato, a figura do professor coach – se tornou presente na vida de cada escola pública da cidade.


O Professor Coach desenvolve estratégias específicas para as necessidades e pontos fortes de cada escola. Ao mesmo tempo, há estratégias que perpassam diferentes prossionais e organizações que oferecem esse tipo de apoio.


Na medida em que o desafio da qualidade passa a ocupar espaço crescente no debate público sobre educação no Brasil, torna-se importante investigar experiências, dentro e fora do País, que tragam propostas concretas e aprendizados sobre como superar os problemas institucionais da educação. Objetivando contribuir neste esforço a Fundação Itaú Social e o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, iniciou, em 2009, o Programa Excelência em Gestão Educacional, que tinha como uma de suas colaborações a publicação de experiências educacionais que, com suas estratégias e ações, poderiam servir de inspiração para gestores, educadores, empresários e políticos brasileiros interessados em melhorar a qualidade de nossas escolas públicas. A publicação foi organizada em capítulos temáticos, selecionados de acordo com a relevância do tema para as mudanças do sistema de ensino de Nova York, e dentre eles, destaco aqui o tema Professores mentores e o apoio presencial ao professor em sala de aula: Coaching. Cada vez mais a ideia ganha força nas empresas e áreas do setor público, imprimindo sentido de formação de competências de um indivíduo ou uma equipe. Nos Estados Unidos, esta concepção tem sido amplamente utilizada nas escolas públicas como estratégia de melhoria da prática de diretores e de professores.


Já no Brasil há um consenso sobre a necessidade de formar melhor os professores da rede pública, seja quando ainda estão na universidade, seja depois, quando ingressam na carreira. Secretarias de Educação chegam a investir somas significativas em treinamentos, que em teoria, deveriam ajudar o professor a melhorar a sua prática em sala de aula. Entretanto, ainda há muito o que se fazer por aqui, embora a figura do coach, tão conhecida e aproveitada já pelas grandes empresas no Brasil, poderia se tornar uma política pública. Em Minas Gerais, algo próximo dessa realidade foi testado por meio do Programa de Intervenção Pedagógica, junto às séries iniciais da rede estadual. De maneira geral, o Coaching Educacional configura-se num campo ainda instintivo, e nos últimos anos, por força da mídia, e das redes sociais vem tomando uma certa desenvoltura estratégica, mas é bom ressaltar que muita gente confunde Coaching com Formação. Segundo João Alberto Catalão, este fato tem levado a que hoje a generalidade das ofertas formativas contemplem, um ou mais tópicos, sobre Coaching. Prossegue ainda, alertando que Coach não é um Formador ou Treinador, e que numa relação de Coaching, não é o Coach que ensina ou define os padrões do que está certo ou errado, ou avalia o que são bons ou maus níveis de desempenho. O Coach não ensina, ele facilita a tomada de consciência, a identificação do potencial, a obtenção do reforço da autoestima, a definição de objetivos, a elaboração e a monitorização de planos de ação para a performance do Coachee.  

A ideia de um novo design no mundo da educação torna-se cada vez mais forte nos últimos anos, e cada vez mais claro que as instituições educacionais precisam ser recriadas, vitalizadas e renovadas de forma sustentável, adotando uma orientação aprendente, envolvendo todos do sistema, facilitando que cada um expresse suas aspirações, visando construir uma nova consciência do modelo mental desejado, e que ferramentas poderão utilizar para realizar a conexão motivada pela visão.


Possibilidades de Utilização do Coaching no meio educacional


O foco deste artigo é o despertar para um novo pensamento sistêmico, na forma de condução pedagógica por meio do Coaching Educacional, esclarecendo na prática como certas lógicas de raciocínio facilitam a ocorrência de sucessos no mundo educacional. No mundo de hoje, quem se propõe a educar precisa saber quais são as lógicas melhores de raciocínio, compreendendo que não adianta adotar modernos métodos de trabalho, se faltam bons princípios e ferramentas para a tomada assertiva de decisões.


Coaching Educacional, transforma o problema em objetivo, ampliando a capacidade coletiva de aprender, promovendo o ambiente corporativo educacional de forma criativa, empreendedora e inspiradora de novos conhecimentos, habilidades e atitudes, permeadas de valores humanos, fundamentadas pelas inteligências múltiplas e inteligência emocional, privilegiando as competências para ensinar e educar profissionais autônomos reflexivos segundo Philippe Perrenoud, Donald A. Schön, Peter Senge, Edgar Morin, Ruy Cezar do Espírito Santo, Paulo Freire, Mirian Paura e Fritz Perls, entre tantos outros.

 


Diversas são as possibilidades pedagógicas desta poderosa estratégia que, inclusive, educa para a Paz, bem como para autonomia de pensamento, ação, reflexão e inovação.
Diante das inúmeras possibilidades, podemos destacar:

 

  • Promoção de seminários, colóquios, workshops, grupos de estudos de sensibilização dirigidos a diferentes atores para conscientizar sobre o que realmente é Coaching Educacional, e quais são os benefícios para o cotidiano das relações intrapessoais e interpessoais da instituição educacional, associando-as, aos resultados acadêmicos;

 

  • Abordagem específica para fortalecer a vontade das pessoas para o ato de aprender e apreender, levando-se em conta os estilos de aprendizagem, facilitando acertos para iniciar e continuar qualquer processo de mudança cultural;

 

  • Fortalecimento da inteligência individual e coletiva por meio da potencialização de ações pedagógicas que levam a necessidade da cocriação de projetos coletivos, ampliando as possibilidades de comunicação assertiva, escuta ativa e o conceito da comunicação não violenta no gerenciamento de conflitos; 

 

  • Potencializando a (re)descoberta do autoconhecimento, descobrindo e desenvolvendo valores, compactuando com a família e a escola de educação básica a tarefa de formar humanos que se auto eduquem curiosos, capazes de enxergar e promover mudanças em si mesmos e no mundo; 

 

  • Promoção de espaços pedagógicos para discussão e aprendizagem que tenham como objetivos agir sobre como cada um raciocina, para que cada um, por si mesmo, possa concluir quais os melhores comportamentos. Assim, a pessoa ganha capacidade de ser autônomo, tornando-se consciente, alargando a sua capacidade de análise crítica, sendo aquele que se orienta mais pelo que deve fazer do que pelo que pode fazer. 

 

Coaching Educacional está focado fundamentalmente na preocupação com um aluno vivo, inquieto, e participante, bem como um professor que não tema suas próprias dúvidas e com instituições educacionais abertas, vivas, postas no mundo e conscientes de que vivemos no século XXI, e que neste sentido é preciso repensar a postura acadêmica, comunicando e construindo assertivamente a urgência de se trabalhar com uma pessoa inteira, com sua afetividade, suas percepções, suas expressão, seus sentidos, sua crítica e criatividade. É preciso que se ande por outra rua, assim como nos inspira a poesia transcrita do livro Tibetano do Viver e do Morrer, “Autobiografia em cinco capítulos”.

 


1- Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2-Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.

3- Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.

4- Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

5- Ando por outra rua.  

Nessa perspectiva qual seria o estoque de atributos que os professores ou o gestores educacionais teriam que potencializar passando pelas sessões de coaching? E quais seriam as rotas de ação?


Uma possível rota é realizada em encontros coletivos onde o professor é situado como sujeito do próprio desenvolvimento e instigado a aperfeiçoar e expandir suas competências. Os encontros são associadas a uma rota de ação, uma vez que, o aprendizado proveniente do coaching precisa gerar ações. Os primeiros encontros envolvem uma avaliação das dimensões a seguir: motivação e autoconhecimento (motivação e continuidade de ação na direção dos objetivos desejados; autoconhecimento, utilização das forças, virtudes e talentos na docência; autoestima, autoconfiança e automotivação; equilíbrio emocional em situações adversas; resultados positivos mensuráveis na sua vida pessoal; resultados positivos mensuráveis da sua vida profissional; relacionamentos escolhidos e positivos; percepção de continuidade e melhoria contínua; poder de aprendizado e conclusões construtivas); atuação (proatividade; domínio de sala; atuação em conjunto com os outros docentes no processo de ensino; humildade e flexibilidade; conhecimento sobre as competências do aluno; foco do que realmente é importante na formação do aluno; capacidade de contextualização da sua disciplina; confiança transmitida aos alunos; exemplo de vida e de comportamento; formação acadêmica e publicações científicas); saber fazer (saber ouvir e respeitar o aluno; conhecimentos, habilidades e experiência na área lecionada); técnicas (oratória e comunicação; capacidade de se colocar no lugar do outro; uso de diferentes técnicas de ensino-aprendizagem; inovação e criatividade no ensino; minha didática atual; dinamismo da aula e motivação do aluno; capacidade de avaliar situações de aprendizagem); encantamento (inspiração e encantamento do aluno; capacidade de causar transformação no comportamento do aluno); e, responsabilidade (consciência da responsabilidade como docente; cumprimento de deveres e compromissos com pontualidade).


Outra rota possível é a realização de cursos livres para o desenvolvimento de temas tais como: Coaching e Programação Neurolinguística, Storytelling e Caixa de Ferramentas para engajamento e sensibilização de pessoas, Liderança, Endoquality, Inteligência Emocional e Orientação Profissional, Valores Humanos, Didática e IQPs - Indicadores de Qualidade de Projetos, que possam responder aos seguintes questionamentos: Como nos preparar para termos habilidade de, em momentos cruciais dispormos de presença de espírito para encontrar a saída e liderar outras pessoas que dependem da nossa iniciativa? Será que é possível nos soltarmos de todas as ideias e capacidades antigas que estão turvando o nosso julgamento, de modo a sermos capazes de identificar as mudanças necessárias, ajudar a promovê-las e obter reações positivas? Como fazer com que a evolução ocorra naturalmente, que as pessoas façam as coisas certas, sem ser preciso que sejam controladas, e desenvolvam as suas habilidades técnicas e humanas? Como descobrir o ponto de apoio para, através de uma causa minúscula, alavancar o início de uma mudança gigantesca? Como melhorar a nossa forma de pensar, que é a semente do todo?


No artigo apresentado, é possível que dois elementos mereçam amplo destaque e aprofundamento: o primeiro refere-se a necessidade dos professor e do gestor educacional ser sujeito do próprio aprendizado, e estar consciente que necessita melhorar a cada instante, e sempre com a pergunta em mente: Quem sou eu para educar? O segundo relaciona-se ao acompanhamento sistemático, apoiado e inspirado pelo processo de coaching e seus efeitos positivos na sala de aula e no desenvolvimento de todas as partes envolvidas.


Neste século XXI vamos cocriar por outras ruas? Este é o nosso desafio.  


Para saber mais:


SANTOS, Graça. Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento. Editora Leader, São Paulo, 2012.

SANTOS, Graça. Coaching na Educação: Contexto, Aplicação e Possibilidades. Revista Digital Coaching Brasil, São Paulo, 2014.


SCHÖN, D. Educando o profissional reflexivo. Um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

LAGES, Andreia. O’ CONNOR, Joseph. O que é Coaching. Comunidade Internacional de Coaching. Editora All Print, São Paulo, 2006.

GATTI, Bernadete A. e equipe. Atrativos da carreira docente no Brasil. Fundação Carlos Chagas, São Paulo, outubro, 2009.

CATALÃO, João Aberto. PENIN, Ana Tereza. Ferramentas de Coaching. Editora Lidel. São Paulo, 2012.

PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar, Artmed, 2000.
____________, Philippe. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002.  


Graça Santos
Pernambucana, Professora da Rede Pública do Rio de Janeiro, Pedagoga, Orientadora Educacional e Escritora. Possui MBA em Gestão Estratégica e MBA em Formação Holística na Abordagem Transdisciplinar do Desenvolvimento Humano. Escritora nas Editoras Leader/SP e SER MAIS/SP, Palestrante e Coach formada pela Abracoaching. Facilitadora do Potifólio Nacional Editora FTD. Autora do livro “Coaching Educacional: Ideias e estratégias para professores, pais e gestores que querem aumentar seu poder de persuasão e conhecimento”. Coautora do livro PNL & Coaching, sendo autora do capítulo 11, intitulado “Como funciona seu GPS interno?”. Tem como missão inspirar pessoas que querem sair do estado atual para o estado desejado por meio de vivências que conduzam ao realinhamento cultural das crenças, valores, hábitos e atitudes com foco na excelência dos resultados e na ecologia pessoal. 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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