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Sexta-feira, 18/03/2016

Consumismo Infantil e o Papel da Educação.

Tags: consumo, infância, professor.

 

 

 

 

Vivemos hoje conectados aos meios de comunicação e redes sociais desde o momento que acordamos até a hora de dormir.

A conectividade e o consumo pautam nossa socialização e, principalmente, das crianças e jovens que crescem acreditando que para ser é preciso ter. A palavra foi substituída pela imagem. O simplicidade pelo excesso. O abraço pelo objeto. O desejo pela necessidade e a infância pelo consumo.


É fato que a criança brasileira, tem consumido, cada vez mais, diferentes mídias e, muitas vezes, realiza esse consumo de forma concomitante: ouve rádio enquanto navega na internet, assiste televisão enquanto acessa o facebook, joga no computador e ao mesmo tempo fala no celular. Porém, a TV ainda é campeã na audiência entre as crianças brasileiras que passam mais de 5 horas por dia na frente da telinha (segundo os últimos dados do Ibope). E em áreas de alta vulnerabilidade social e econômica esse tempo médio chega ao espantoso número de 9h por dia.


Foi nesse contexto que a publicidade dirigida às crianças entrou em cena com grande força e passou a endereçar ao público infantil mensagens de apelo ao consumo, tornando a criança um fator de influencia em 80% das compras da família. Talvez seja por isso que o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Infância e Adolescência) soltou a resolução 163 em 2014 que reforça o que já estava previsto no art 37 de nosso Código de Defesa do Consumidor – que a publicidade quando se dirige a uma população vulnerável é considerada abusiva e, portanto ilegal.


Que as crianças se comunicam e fazem uso da tecnologia, muitas vezes, melhor do que os adultos, não nos restam duvidas, mas o que não podemos esquecer é que as crianças são seres em peculiar desenvolvimento psíquico, afetivo e cognitivo. Por isso são muito mais vulneráveis aos apelos do consumo que nós adultos e assim, acabam sofrendo cada vez mais cedo as graves conseqüências relacionadas ao problema do consumismo infantil, tais como: obesidade infantil, erotização precoce, diminuição das brincadeiras criativas, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar e violência.


Que a criança será, em função do tempo em que vivemos uma consumidora é fato. Precisamos, então, começar a mudar nossos próprios hábitos de consumo, além de educar nossas crianças para que tenham responsabilidade ao comprar. Elas são o prefácio para um mundo mais ético e sustentável e têm nas mãos o poder de reinventar as relações de consumo. Tudo depende da forma como as educamos. Educar, assim como consumir é um ato político.
 


Para saber mais:

 

(i) O site do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana 

(ii) MInha coluna no Portal Outras palavras

(iii) A página do MILC (movimento Infância Livre de Consumismo)

(iv) E a página da Rebrinc (Rede Brasileira Infância e Consumo) 

 


 

 

 

  Lais Fontenelle

 Mestre em Psicologia Clínica pela Puc-Rio, ativista pelos    direitos da infância e consultora do Instituto Alana.

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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