A A A C
email
Blog destinado a grandes especialistas da Educação. Você também pode participar. Veja como.

Segunda-feira, 13/11/2017

Aquisição de Linguagem Oral pela criança surda

Tags: surdez, artigo.

 

 

Aquisição de Linguagem Oral pela criança surda: qual o papel que a família e a escola desempenham nesse processo? Na minha opinião, ambas têm papel fundamental, e foi por isso que encomendei este post à fonoaudióloga Mônica Campello.

“Sendo um universo que sempre me fascinou desde a infância marcada pelo convívio frequente, a Fonoaudiologia foi o caminho que encontrei para estar mais próxima dos meus amigos surdos e promover o contato entre nós através da língua portuguesa. Relevando o lado polêmico que o aprendizado da língua portuguesa oral por surdos muitas vezes evoca, me emociona e sou tomada por uma alegria recompensadora quando crianças surdas que atendo começam a emitir, com propriedade, suas primeiras palavras.

Sabemos que os primeiros dois anos de uma criança são um período de audição passiva; um período de escuta, onde ela conhece e compreende uma língua para então poder emiti-la. A criança surda, de uma maneira geral, a partir do momento que faz uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) ou a do Implante Coclear (IC), precisa também passar por esse período de escuta, por meio da tecnologia, para começar aprender a se expressar oralmente, também.

 

Português ou Libras?

 

É necessário esclarecer que aprender a Língua Portuguesa oral não impossibilita o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (Libras) ou vice-versa. Por isso ressalvo o também (ou seja, as duas línguas, sinais e oral). A partir do momento que temos essa compreensão que são duas línguas distintas e que podem fazer parte da realidade de muitas pessoas surdas, o aprendizado sendo o mais precoce possível, se torna real e pode acontecer. Bem, mas também temos conhecimento de casos onde por algum motivo, a linguagem oral pode não se desenvolver ou se desenvolver aquém do esperado, mas essa é uma outra conversa.

Hoje, aqui, neste espaço, vamos falar sobre a linguagem oral e como os pais e a escola desempenham papéis importantes para que ela comece a acontecer no dia a dia do convívio familiar, escolar e terapêutico.

Levando em consideração que em apenas aproximadamente 3% do tempo a criança está em terapia, enquanto passa 97% do seu tempo com a família e na escola, temos que sensibilizar os pais e/ou responsáveis sobre a importância de terem atitude de escuta cultivando, neles e na criança, o hábito de promover percepção auditiva em situações do dia a dia em seus lares e na escola. Desenvolver as habilidades mentais superiores para obter conhecimento sobre o mundo só é possível a partir do momento que vivenciamos situações naturais, para que possamos desenvolvê-las a partir da experiência vivida. Com isso, vamos dar atenção e maximizar a função auditiva, que surge a partir do momento que a criança é exposta ao mundo sonoro, fazendo com que por meio da tecnologia a criança aprenda a escutar e a falar.

A criança deve ser estimulada o quanto antes na descoberta de que ter acesso ao mundo sonoro, dentro de suas possibilidades fisiológicas, pode lhe dar prazer e para isso é necessário que use constantemente seu dispositivo eletrônico, só o tirando para tomar banho ou dormir, para que a escuta aconteça preparando-a para emissão de suas primeiras palavras.

 

O ambiente escolar e familiar

 

O ambiente familiar e escolar são tão ricos de recursos e situações de escuta que devemos aproveitar sempre as oportunidades que surgirem para que ela aconteça. A criança irá aprender, por exemplo, por meio de analogias; olhando, comparando, relacionando e associando, sendo que o processo cognitivo afeta como ouvimos e a forma como qual ouvimos afetará todo esse conhecimento. Ao falarmos com a criança surda devemos sempre oferecer pistas visuais para que se torne mais fácil o entendimento por ela sobre o assunto que estamos falando.

Em casa ou na escola temos infinitas possibilidades no dia a dia para que a linguagem compreensiva e expressiva aconteça, como exemplifico a seguir:


A aprendizagem deve ser gostosa

 

É importante lembrarmos que toda experiência de aprendizagem deve ser gostosa, agradável e trazer diversão à criança. Quanto mais a criança participar ativamente de vivências prazerosas, mais aprendizado acontecerá. E durante essas brincadeiras e atividades devemos estimular sempre sua produção verbal ou repetição (exemplo): Olha, a Vovó chegou!!! Oi Vovó! Vovó! …de forma a encorajar essa produção oral que inicialmente poderá não ser tão perfeita, mas que com certeza será modulada permitindo-nos constatar que o input auditivo estará acontecendo.

Nas fases mais precoces nossa fala com a criança deve ser bem melodiosa e quando o bebê começar a balbuciar, os pais podem repetir esse balbucio adicionando novos sons, pois dessa forma estará oportunizando a criança ouvir também sons diferentes daqueles que começa a produzir.

A criança surda mais nova que atendo, agora com um ano e sete meses, com perda neurosensorial profunda bilateral, aguardando cirurgia de implante coclear, iniciou atendimento precoce logo após o diagnóstico, quando também iniciou o processo de adaptação de seus Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI). Suas vocalizações estão cada vez mais ricas com fonemas diversos e ela já utiliza algumas produções orais melódicas contextualizadas para nos fazer entender seus desejos.

Ao ver um cachorro o identifica vocalizando o “au au”; ao querer alguém perto dela, emite também chamando com suas pequenas mãozinhas! (v)em! (v)em! e essa comunicação nos encanta. Os pais participam dos atendimentos. No primeiro contato com a escola conversamos durante duas horas com os profissionais e os pais sempre trazem novidades observadas em casa, vez ou outra acompanhada de um vídeo para ilustrar. Parceria total! Com certeza seu prognóstico é de sucesso, pelo comprometimento que pudemos observar de todos que a cercam e pelas vocalizações que a tornam cada vez mais tagarela.

Todo esse trabalho direcionado para o desenvolvimento da fala é muito rico, sendo que para que aconteça é necessário que a criança seja, o mais brevemente possível, exposta a linguagem oral. A cognição, a linguagem, a fala e as funções comunicativas e habilidades conversacionais devem ser desenvolvidas por meio de um trabalho sistemático voltado para as habilidades auditivas e com a parceria importante e fundamental da família e da escola. Ah, cercado também de muito amor e certeza de que a criança surda é – sim – capaz de ganhar o mundo se comunicando e se fazendo entender por todos nós. Lembrando que este destaque é para as possibilidades de desenvolvimento de linguagem oral.

Beijos e até a próxima!”

____________________________________________________________

 

FONTE: http://cronicasdasurdez.com/linguagem-oral-crianca-surda/


   
           



Yammer Share

Terça-feira, 24/10/2017

Processo de aprendizagem estatística com foco em medidas de tendência central e dispersão

Tags: matemática, artigo.

Jorge Santos

UNIRIO/SME-RJ

Leandro Nascimento

UNIRIO/SMEDuque de Caxias

Rafael Costa

UNIRIO/SME-RJ/Unisuam

Wagner Santos

UNIRIO/IBC/Seeduc-RJ

Luciane Velasque

UNIRIO


Introdução

O presente artigo apresenta uma sequência didática elaborada pelos autores no âmbito do mestrado PROFMAT no polo UNIRIO. O projeto foi desenvolvido pelos alunos do mestrado que são professores da Educação Básica no Estado do Rio de Janeiro, sob a orientação da professora Dra. Luciane Velasque. Motivados pelo desafio de ministrar aulas dinâmicas e atrativas para seus alunos, em especial pela necessidade e desejo de fazer com que a Matemática seja agradável e significativa, surgiu a ideia de elaborar uma sequência didática de atividades para ensino e compreensão de todo o processo de aprendizagem estatística para alunos da Educação Básica.

Pretendemos completar todo o percurso: desde a definição do tema de pesquisa, sua elaboração e coleta de dados, terminando com a análise deles. Daremos foco na aprendizagem dos conceitos das medidas de tendência central e dispersão com o auxílio do pacote de aplicativos Google Docs e do software Geogebra. Observamos que esse campo de estudo ainda carece de pesquisas didático-pedagógicas, principalmente a partir da nova proposta da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), na qual a Estatística vem ganhando espaço ao se tornar um dos cinco eixos norteadores para o ensino de Matemática, justificando assim a relevância deste trabalho. Nosso objetivo é contribuir para uma reflexão por parte dos professores da Educação Básica que buscam apoio para proporcionar uma melhor implementação de situações de aprendizagem em suas salas de aula.

O sistema de ensino do país atualmente é regido pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e pelos currículos estaduais e municipais.Nesse cenário,os conteúdos relativos ao ensino de Estatística Básica estão inseridos na grade curricular de Matemática.

A partir dessa problemática, Costa e Nacarato (2011) identificaram em sua pesquisa que mesmo após a inclusão dos conteúdos de Estatística nos PCN, no final da década de 1990, os professores formados ainda apresentavam dificuldades em relação ao conhecimento estatístico.

Com isso, a atuação dos professores de Matemática fica comprometida no que diz respeito à construção dos significados estatísticos com seus alunos. E muitas vezes esses professores escolhem apresentar os conteúdos amparados pelas ferramentas tradicionais de ensino, como quadro e giz, e focados na aplicação de fórmulas sem se preocupar com a contextualização ou até mesmo sem conseguir fazê-la de maneira adequada para que os alunos desenvolvam suas próprias intuições estatísticas.

O ensino de Estatística deve ser abordado a partir de uma situação que desperte o interesse do aluno para uma investigação em que o estudante deve se envolver com todo o processo,desde aescolha do tema da pesquisa, a coleta de dados, até interpretação e discussão de resultados, conforme ressalta o documento Reflexões dos conteúdos de probabilidade e estatística na escola no Brasil, publicado no site da Associação Brasileira de Estatística (ABE), visitado em junho de 2016.

Dessa forma os estudantes passam a ser ativos no seu processo de aprendizagem, contribuindo para que os conceitos aprendidos tenham significado, pois partiram de um contexto próprio dos estudantes.

Em consonância com essa discussão preliminar, a disciplina de Probabilidade e Estatística do PROFMAT/UNIRIO teve como principal característica trabalhar os conteúdos visando desenvolver habilidades e competências com seus discentes, que são professores da Educação Básica no Estado do Rio de Janeiro, para que eles fossem capazes de elaborar propostas de atividades que tenham como metodologia de ensino a que está apresentada no documento publicado pela ABE, que preza a participação ativa dos alunos no processo de aprendizagem dos conteúdos referentes à Estatística, desde a coleta de dados até a sua análise.

Além disso, aproveitamos a oportunidade para incluir o uso de tecnologia como auxílio para coleta e análise de dados, apoiados por um dos princípios gerais listados nesse mesmo documento, que diz que devemos “introduzir sempre que for possível o uso complementar de ferramentas computacionais, aplicativos e kits de materiais didáticos concretos para auxílio dos professores”.

Nossa proposta corrobora a afirmação de Silva et al. (2015, p.1):

    A transformação tecnológica não somente nos trouxe o aumento na capacidade de processamento dos computadores, mas também uma nova maneira de pensar o processo de ensino/aprendizagem.

A partir disso, nosso trabalho almeja que o professor e o aluno façam uso do computador ou até mesmo do smartphone como recurso pedagógico,tendo como objetivo principal estimular o interesse e a curiosidade, auxiliando no aprendizado de maneira mais efetiva, a partir de experiências e atividades compartilhadas e motivadoras para o processo de ensino e aprendizagem, possibilitando maior contato com a disciplina em tarefas desafiadoras de investigação.

Sendo assim, proporemos atividades de Estatística com desenvolvimento colaborativo a partir da coleta de dados com a utilização do pacote de aplicativos Google Docs e faremos a análise descritiva desses dados com o software Geogebra, por serem de acesso gratuito, além de possuírem grande quantidade de informações e dicas de utilização na internet.
 

Referencial teórico

A sociedade brasileira está em constante mudança, e com isso as tecnologias e o processo de ensino e aprendizagem de forma geral têm sofrido grande impacto. O ensino de Matemática vem acompanhando essas mudanças, não apenas de conteúdo como também de objetivos e metodologias.

Nesse contexto, os professores de Matemática precisam estar atentos para fazer uso dessas mudanças, e a partir delas gerar reflexão, problematizar as questões do cotidiano, além de manipular objetos para que os estudantes se apropriem dos conceitos desejados.

Os PCN (Brasil, 1998, p. 21), dentro deste contexto, ressaltam que:

    Entre os obstáculos que o Brasil tem enfrentado em relação ao ensino de Matemática, aponta-se a falta de uma formação profissional qualificada, as restrições ligadas às condições de trabalho, a ausência de políticas educacionais efetivas e as interpretações equivocadas de concepções pedagógicas.

Uma maneira de tentar superar os obstáculos que o processo de ensino e aprendizagem de Matemática vem enfrentando pode se dar pela utilização da tecnologia em sala de aula como recurso pedagógico.

É inegável que há uma crescente utilização de tecnologias em diversos segmentos da sociedade, e na educação não poderia acontecer de outra maneira.É possível perceber que a tecnologia está a cada dia mais presente em nosso cotidiano, nos computadores, tablets, smartphones etc., especialmente no cotidiano dos alunos. No entanto, ainda existe certa resistência por parte de alguns professores na utilização desses e de outros recursos tecnológicos em sala de aula por diversos motivos.

O processo de ensino e aprendizagem deve se desenvolver de forma investigativa e colaborativa, e para que isso seja possível o professor precisa superar os estigmas adquiridos ao longo de sua formação docente, como afirma Moraes (1996, p.59): “a grande maioria dos professores ainda continua privilegiando a velha maneira com que foram ensinados, reforçando o velho ensino, afastando o aprendiz do processo de construção do conhecimento”.

Naturalmente, um ensino apoiado na utilização de tecnologia, em especial de softwares dinâmicos, tende a despertar o interesse por parte dos alunos para o aprendizado, como assegura Romero:

    A tecnologia, especificamente os softwares educacionais, disponibiliza oportunidade de motivação e apropriação do conteúdo estudado em sala de aula, uma vez que em muitas escolas de rede pública e particular professores utilizam recursos didáticos como lousa e giz para ministrar suas aulas, este é um dos diversos problemas que causam o crescimento da qualidade não satisfatória de ensino, principalmente na rede estadual (Romero, 2006, apud Cavalcante, 2010, p. 3).

A partir da análise dessa problemática, do vasto campo de possibilidades existentes, e tendo em mente que a atuação do professor tem importância ímpar como mediador do conhecimento, cabe a nós ressaltar que, além das questões profissionais, existe uma particular e pessoal de cada professor que possui consigo a missão de transmitir de maneiras diversificadas os conteúdos propostos aos seus alunos, buscando a excelência na aprendizagem.

Assim sendo, faz-se urgente e necessária a busca por alternativas de melhorar a qualidade de ensino e tornar as aulas de Matemática mais motivadoras, com o objetivo de estabelecer um ambiente propício para ensino e aprendizagem, que visa atender aos alunos e que eles aprendam os conteúdos de forma satisfatória.

Nessa perspectiva, é importante observar que existe atualmente no mercado grande diversidade de tecnologias, softwares educacionais e recursos digitaisque ofereceminúmeras opções de aplicação dos conceitos matemáticos e, consequentemente, de conceitos estatísticos, além de facilitar aplicações interdisciplinares.

No entanto, muitos recursos digitais e softwares não apresentam em si objetivo de ajudar na reflexão e resolução de problemas; por isso vale ressaltar que a metodologia e os objetivos do professor para utilização deles é primordial para que o processo de ensino e aprendizagem aconteça de maneira exitosa. Isso fica evidenciado em Piccoli, que diz que:

    a escolha do software deve se fundamentar na proposta pedagógica de Matemática da escola, o professor deve escolher um tipo de software adequado para possibilitar que o aluno construa seu conhecimento, sem deixar de lado o profundo domínio que precisa ter tanto do conteúdo abordado como do programa que utilizará (Cláudio; Cunha, 2001, apud Piccoli, 2006, p. 45-46).

Nossa proposta surgiu a partir da necessidade de gerar alternativas para abordar conceitos estatísticos, como coleta de dados e análise descritiva deles com o auxílio de recursos tecnológicos computacionais. Fomos motivados a realizar essas atividades nas aulas da disciplina Probabilidade e Estatística do mestrado do PROFMAT/UNIRIO, para serem aplicadas na Educação Básica.

Pretendemos, a partir dessa sequência de atividades,possibilitar caminhos e gerar discussões com a utilização desses recursos, colaborando para que os professores da Educação Básica levem aos seus alunos um ambiente agradável, atraente e construtivo com o intuito de propiciar um processo de ensino e aprendizagem de Estatística de forma significativa.

Neste trabalho serão propostas atividades com a utilização de recursos tecnológicos digitais, como os aplicativos do Google Docs e o software Geogebra, com o intuito do apresentar ao aluno ferramentas de estudo e compreensão dos conceitos de Estatística.

A escolha do software Geogebra se deu por ser dinâmico e multiplataforma para o ensino de Matemática; em especial, possui vários recursos para trabalhar conceitos estatísticos, tais como medidas de tendência central e representações gráficas, entre outros, além de ser gratuito, de fácil aquisição e manipulação e possuir versões para smartphones. Além disso, possui várias informações na rede que podem auxiliar no processo de construção do conhecimento por parte dos estudantes, proporcionando nos alunos uma postura reflexiva em relação aos conceitos trabalhados.

A escolha do Google Docs, especificamente o Formulário, aconteceu por fazer parte de um pacote de aplicativos da Google, que funciona on-line e possui recursos que permitem aos usuários criar e editar documentos, possibilita criar pesquisas e coletas de informações, sendo ótimo recurso para o ensino da Estatística, além de ser de simples utilização e fácil acesso, inclusive a partir de smartphones.
 

Metodologia

No contexto do ensino da Estatística, serão apresentadas três etapas,que têm como objetivoa coleta e análise descritiva dos dados. Após a discussão com os alunos sobre o tema a ser trabalhado, deve-se listar as variáveis (características) sobre as quais serão feitas as perguntas aos entrevistados.

Como os conceitos estatísticos abordados serão medidas de tendência central e dispersão, as variáveis exemplificadas serão as classificadas como variáveis quantitativas. É importante ressaltar que,para otimizar o processo de aprendizagem,a etapa da coleta de dados pode ser realizada com a utilização dos smartphones dos estudantes.
 

Etapa 1 – Montagem de um formulário no Google Docs

Construa um formulário no Google Formulários com as seguintes variáveis: idade, altura e peso (evidencie para o usuário a unidade da variável, por exemplo: idade (anos), altura (cm) e peso (kg)),como é mostrado na Figura 1.

Figura 1: Construção do formulário.

a) Testar o formulário antes de deixar disponível para os alunos (vide Figura 2).

Figura 2: Teste do formulário.

Neste item, destacamos a importância do teste do formulário antes de ser aplicado aos estudantes. Mostramos acima que um usuário pode comprometer nossas variáveis inserindo textos nas respostas, fato que deve ser restringido por quem estiver com interesse na análise dos dados futuramente.

b) Restringir as variáveis para proteção dos dados e da pesquisa (Vide Figura 3).

Figura 3: Restrição de variáveis.

Ao clicar na validação de dados, terá a possibilidade de restringir as variáveis para minimizar os erros no lançamento de dados. Por exemplo, espera-se que a varável idade seja um número inteiro (vide Figura 4) e é possível até inserir uma mensagem de erro para o usuário, auxiliando no preenchimento do formulário.

Figura 4: Inserindo uma restrição.

Nas variáveis altura (cm) e peso (kg), é recomendável que a restrição seja feita por meio de um intervalo, pois isso evitará valores extremos fora da realidade (vide Figura 5).

Figura 5: Restrição em um intervalo.

c) Fazer download do arquivo no formato específico para o Geogebra (csv, txt, dat) (vide Figura 6).

Figura 6:Download das respostas.

 

Etapa 2 – Média, mediana e moda no Geogebra

Nesta etapa temos como objetivo a ambientação no software Geogebra e sua manipulação. Vislumbramos também que a ferramenta computacional pode auxiliar a apropriação dos conteúdos de estatística, especificamente medidas de tendência central e dispersão.

a) Importar os dados de uma planilha gerada pelo formulário do Google Docs (vide Figura 7).

Figura 7:Importação de dados da planilha.

b) Criar listas de dados brutos referentes às variáveis altura, idade e peso (vide Figura 8).

Figura 8: Criação de lista de dados brutos da altura.

c) Obter a média, a mediana e a moda de cada variável (Handaya, 2016) (vide Figura 9).

Figura 9: Obtendo a média da altura.

d) Inserir uma caixa Exibir/Esconder para as medidas de tendência central de cada variável (vide Figura 10).

Figura 10: Caixa Exibir/Esconder.

Etapa 3 – Trabalhando conceitos

Nesta etapa, temos como objetivo central explorar os conceitos de medida de tendência central e dispersão por meio do software Geogebra, mostrando suas potencialidades e justificando seu uso.

a) Utilizando o Geogebra obtenha média, mediana, moda e desvio padrão da variável idade.

b) Observe que,se alterarmos o valor da célula B2 e B3 para 50, o valor de tendência central que sofrerá alteração é a média.

c) Se alterarmos o valor das células B3 e B8 para 15 teremos mudança na média com certeza e possivelmente na moda.

d) Retorne aos valores originais da tabela. Crie um seletor aem que aÎ [15, 65]. Insira a variável a na célula da coluna B. Manipule o seletor a livremente e perceba as mudanças nas medidas de tendência central e dispersão.

d.1) Para quais valores de a temos alteração na moda? Justifique a sua resposta.

d.2) Para quais valores de a temos alteração na média? Justifique a sua resposta.

d.3) Para quais valores de a temos alteração na mediana? Justifique a sua resposta.

d.4) Qual medida de tendência central sofre mais alteração na inclusão de um novo item?

d.5) O que acontece com o desvio padrão quando a está com valores extremos?
Resultado/discussão

Na etapa 1 temos o objetivo de que o professor construa juntamente com a sua turma um formulário que gerará o objeto da análise. Tivemos cuidado, pois passamos em nossas turmas, por isso que cada docente (item a)deve colocar valores extremos e perceber que o formulário os aceitará. Esse fato deve ser resolvido (como no item b), em que orientamos a colocação de restrição nas variáveis que estiverem no formulário, para não prejudicar as fórmulas. Nesta proposta o formulário do Google é fundamental para que a análise de dados comece após a inserção dos dados, ganhando tempo para o estudo dos resultados.

Na etapa 2 propomos a importação do banco de dados para o Geogebra (item a), a criação da lista de dados brutos para cada variável numérica (item b), a obtenção das medidas de tendência central (item c) e a ferramenta Exibir/Esconder,que possibilitará que o usuário exiba apenas as medidas de uma variável específica ou de todo o grupo de varáveis que fizer os procedimentos solicitados. Nesta proposta, o software é fundamental para que ganhemos velocidade na análise dos dados; no entanto, o professor deve comentar com seus alunos a pertinência do uso da tecnologia e que ela não deve prevalecer perante os conceitos estatísticos abordados nos itens.

Na etapa 3 sugerimos uma exploração dos conceitos que foram adquiridos facilmente com a manipulação do software, para que os discentes percebam que não basta obter as medidas de tendência central se não soubermos o que elas representam. O principal ganho do uso do softwarenas listas propostas em cada etapa é que os alunos percebam quando é pertinente a utilização de cada medida de tendência central, e o uso do seletor (vide Figuras 11 e 12) nos auxilia nessa perspectiva e a potencializa, pois realizar esta mesma atividade no quadro seria inviável pela quantidade de contas que seriam geradas, afastando-nos do objetivo primordial deste trabalho.  

Figura 11: Uso do seletor.

Figura 12: Uso do seletor.

 

Além disso, sugerimos a inclusão do desvio padrão (item a) após as reflexões nas nossas aulas de Estatística do mestrado na UNIRIO, em que percebemos que não devemos trabalhar de forma isolada as medidas de tendência central e dispersão, pois uma corrobora a análise da outra e auxilia nas escolhas oriundas da análise.
Considerações finais

Como já citado por Chagas (2003, p. 25-27), a tarefa básica do professor é de tentar estimular o desenvolvimento criativo do aluno, apoiado não só nos conhecimentos acumulados pela ciência em questão, mas também em sua aplicação às demais ciências. A escola deve oferecer materiais para tornar possível o trabalho do docente. O ensino de Matemática deve estar apoiado em experiências agradáveis, capazes de favorecer o desenvolvimento de atitudes positivas que, por sua vez, conduzirão a uma melhor aprendizagem.

Com as atividades propostas, tivemos como finalidade alcançar uma aprendizagem significativa para o educando, apresentando possíveis aplicações no ensino de Estatística que possam vir a servir de modelo, incentivando novas práticas e auxiliando os professores para que orquestrem inovações no ensino dos conceitos estatísticos com o auxílio do Geogebra ou outro software afim, sempre caminhando no sentido de possibilitar ao educando a resolução de situações problema e o desenvolvimento do pensamento crítico, formando um cidadão participativo e consciente do seu papel social.
 

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. 2ª versão. Brasília: MEC, 2015. Disponível em:http://basenacionalcomum.mec.gov.br/documentos/BNCCAPRESENTACAO.pdf. Acesso em 08 ago. 2016.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais–3º e 4º ciclos do Ensino Fundamental – Matemática. Brasília: MEC, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/matematica.pdf. Acesso em 22 jul. 2016.

CAVALCANTE, N. I. S. O Ensino de Matemática e o software Geogebra: discutindo potencialidades dessa relação como recurso para o ensino de funções.VI EPBEM–Monteiro-PB. Encontro Paraibano de Educação Matemática. Novembro de 2010. Disponível em:http://www.pucrs.br/famat/viali/tic_literatura/artigos/pacotes/RE-12419073.pdf. Acesso em 7 ago.2016.

CHAGAS, E. P. F. Educação Matemática na sala de aula. 2003, p. 25-27.

COSTA, A.; NACARATO, A. M. A estocástica na formação do professor de Matemática:percepções de professores e de formadores.Bolema, Rio Claro, v. 24, nº 40, p. 367-386, dez. 2011. Disponível em: http://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/bolema/article/view/5092. Acesso em 8 ago. 2016.

HANDAYA, A. Construção de uma ferramenta no Geogebra para determinar as medidas resumo de dados distribuídos por classe.XII Encontro Nacional de Educação Matemática, São Paulo, julho de 2016. Disponível em :http://sbem.bruc.com.br/xiienem/pdf/8221_3713_ID.pdf. Acesso em 08 ago. 2016.

MORAES, M. C. O paradigma educacional emergente: implicações na formação do professor e nas práticas pedagógicas.Em Aberto, Brasília, v. 1, p. 57-69, 1996. Disponível em: http://twingo.ucb.br:8080/jspui/handle/10869/530. Acesso em8 ago. 2016.

PICCOLI, L. A. P. A construção de conceitos em Matemática: uma proposta usando Tecnologia de Informação. Dissertação (mestrado). Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2006. 108f. Disponível em: http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=81. Acesso em 8 ago. 2016.

______________________________________________________________

OBSERVAÇÃO: O trabalho foi feito em colaboração com professor Leandro Mendonça Nascimento da E. M. Escola Monte Castelo - 6ª CRE

 

Publicado em 24 de janeiro de 2017 

Fonte: http://educacaopublica.cederj.edu.br/revista/artigos 


   
           



Yammer Share

Segunda-feira, 23/10/2017

Entre Jovens e a Roda de Conversa

Tags: entre jovens.

 

Entre Jovens – a sofisticada simplicidade de um projeto educacional e os efeitos das Rodas de Conversa


Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer. Estritamente reservadas para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas em tom muito especial/ lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança. Entretanto são palavras simples...
E tudo é proibido. Então, falamos.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Boitempo'


Saber aprender é ciência que não se esgota. Nessa afirmação, com base nas diversas teorias da Educação, encontramos a premissa mais apropriada para a descrição de uma estratégia de aprendizado que reconfigura a prática de rever conteúdos, reinventando ou adaptando as ações em si mesmas. Isso nos leva – em tempos de novas linguagens e inúmeros aparatos tecnológicos – à necessidade de refletir sobre a prática renovada das rodas de conversa, considerando o poder da oralidade entre adolescentes do nono ano. 

O projeto Entre Jovens, que conquistou espaço na rede de escolas de segundo segmento do município do Rio de Janeiro, tendo mobilizado estagiários e professores, desde 2009, ganha destaque pelos resultados alcançados em 2016, com 99% de aprovação – e também pelo despojamento de recursos e a simplicidade na atuação e na prática do reforço escolar. Do primeiro nome ‘Entre’ alinha-se uma ideia de meio, nas artes do equilibrismo entre criança e adulto, entre professor e aluno, entre estagiários e jovens. 

Na curva do significado podemos afirmar que estar entre jovens, com a tarefa de reforçar conteúdos de Língua Portuguesa e de Matemática, traçando pontes e horizontes para depois do ensino fundamental, não é tarefa pequena, exigindo maleabilidade e traquejo, não apenas como adaptação à realidade, mas também como instrumento de intervenção e mudança. 

Pensadores da Educação na contemporaneidade, como Antônio Nóvoa, reitor honorário da Universidade de Lisboa, sustentam que o que “define a aprendizagem não é saber muito, é compreender bem aquilo que se sabe”, na premissa de que é preciso desenvolver entre os alunos “a capacidade de estudar, a de procurar, de pesquisar, de selecionar, de comunicar”, no propósito de (em meio a uma sociedade em rede) transformar informação em conhecimento com uma atitude permanente de pesquisa (Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/antonio-novoa-aprendizagem-nao-e-saber-muito/.). 

De outra feita, percebemos que saber aprender e saber pensar, máximas de uma escola cidadã, presentes no pensamento do educador Paulo Freire surgem renovadas no século XXI, no esteio de uma sociedade marcada pelas redes de informação, significativamente rizomáticas, considerando o desafio de dar significado a todo o conteúdo, ou seja, consolidar o saber à luz de um por quê. 

O Entre Jovens abarca a camada de maior faixa etária do segundo segmento; configurado como projeto, destina-se a reforçar os conteúdos de Língua Portuguesa e de Matemática, oferecendo aos alunos uma prática de reforço, além de um diferencial para os que desejam enfrentar a seletividade de alguns concursos do ensino médio. Sua difusão em algumas das escolas com o nono ano, entre as onze coordenadorias de ensino da SME, tornou-se possível graças à parceria com Instituto Unibanco, de cunho socioeducacional uma forma de viabilizar propostas voltadas para a educação, associando a iniciativa privada ao conjunto de ações do universo público. O que se mostra relevante à análise neste momento é o princípio da junção elementar da equipe de estagiários, orientados de modo mais imediato pelos professores, ao traço da oralidade, marcada pela roda de conversa, mediada pelo estagiário de Pedagogia. 

Como se sabe a roda de conversa é uma prática de discurso oral, assentada como recurso pedagógico que estimula a linguagem e a assimilação da aprendizagem da leitura. Muito comum nas rotinas do primeiro segmento, a roda não é vista com a mesma constância entre os adolescentes do segundo segmento.

A capacidade de pensar do homem está biologicamente relacionada com sua
 aptidão para falar, para estabelecer comunicação através do discurso oral, em
 qualquer dialeto que seu grupo linguístico tenha escolhido para seu uso, isto
 é, para o fazer compartir entre os seus membros. [...] Do ponto de vista da
 evolução exige-nos reconhecer que a linguagem oral é fundamental em
 nossa espécie, enquanto ler e escrever têm todo o jeito de um acidente
 recente (HAVELOCK, 1996, p. 49-55).

 

Embora o segundo segmento seja reconhecido pela ebulição dos hormônios e a rebeldia própria dos adolescentes, o que se percebe é que a roda estimula uma oralidade marcada pelos signos da conversa. O exercício de falar que surge atado à experiência de ouvir ou de se fazer ouvir. 

Cléo Busatto afirma que o letramento também se faz através da oralidade, nesse caso, “quando lemos um livro em voz alta, estamos praticando a fala estética” (2010, p.7). No que se refere ao cenário dos adolescentes, observamos a existência de mais ruído do que comunicação, nesse caso, unida à rotina da ação pedagógica de exprimir o que se sente, no esteio de textos e dinâmicas que provocam reflexão, a oralidade emerge como espaço de negociação e maleabilidade, oportunidade para pensar a própria escola, no conjunto das práticas que caracterizam o segmento do sexto ao nono ano de escolaridade. Vale, portanto, perguntar: Por que conversar? O que seria, de fato, uma conversa? Com + versar. Transformações do corpo, sexualidade, padrões de beleza, conhecer a si mesmo. Uma espécie de adaptação à filosofia, no sentido menos estoico e mais libertador, sem pré-conceitos. A experiência advinda de reuniões com estagiários e itinerantes apontam para os resultados obtidos nas falas dos alunos. Espaço em que emergem questões relativas ao convívio em sala de aula, muitas vezes até no que diz respeito ao trato entre os sujeitos das unidades escolares. 

Paula Sibilia (2012) chama a nossa atenção para os processos que levaram a uma grande transformação dos modos de expressão, das variadas formas de comunicação e dos campos de construção de si mesmo, considerando “as relações com os outros e a formulação do mundo”, entre os “complexos desdobramentos que ainda estão por ser cartografados”, no curso do que chamamos “civilização da imagem” (2012, p.63). 

Faz-se importante ressaltar, ao longo desse entendimento maior, que a roda de conversa, as oficinas de Língua Portuguesa e de Matemática são coisas que acontecem com a orientação de professores itinerantes e estagiários, mas também alicerçadas por um material pedagógico rico de possibilidades. Entre eles, o Megassaudável, de autoria da Multirio, espécie de diário de bordo da nave adolescência. Com eles, a navegação vai além da Internet (ou refletindo sobre ela), criando redes que cruzam dados e informações de grandes eixos temáticos: espelho X imagem (aparência e autoestima); autonomia e conflito de gerações (como lidar com os dramas da vida adulta); amigos, amizade e convivência (ser aceito pela turma, boas e más companhias); entre outros assuntos que implicam cuidar de si mesmo e viabilizar projetos e planos para o futuro (esse período já quase esquecido em matéria de discurso). 

Na cultura popular ouvimos regularmente que a adolescência é a fase difícil, que os adolescentes são problemáticos. Biologicamente falando, esta é uma fase delicada – deixar de ser criança para se tornar um adulto – isso ocorre ao mesmo tempo em que as cobranças sociais surgem. Período em que o corpo sofre uma série de transformações, fazendo com que as mudanças sejam físicas e emocionais, em um contexto onde nem sempre há suporte e informações que os ajudem a passar por essa fase. 

Atualmente, o Projeto atende a 55 escolas, contabilizando onze Coordenadorias de Educação, 165 estagiários, 19 professores supervisores e itinerantes além de um aparato de ações nas gerências de educação, a fim de valorizar e imprimir significado a um grupo de alunos, na ponta da rede, fundamentalmente na saída dela, com a responsabilidade de levar consigo a experiência acumulada em toda essa formação.

 

Referências

BUSATTO, Cléo. Práticas de Oralidade na sala de aula. São Paulo: Cortez, 2010.
DEMO, Pedro. Saber pensar. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2005.
HAVELOCK, Eric. A revolução da escrita na Grécia e suas consequências culturais. São Paulo: Unesp; Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
NÓVOA, Antônio. Reportagem sobre aprendizagem. (Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/antonio-novoa-aprendizagem-nao-e-saber-muito/.). Acesso em: 29 agosto/2017.
SIBILIA, Paula. Redes ou Paredes. A escola em tempos de dispersão. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

__________________________________________________________________

 

Profª Márcia Elisa Rendeiro
PI de História na SME.
Graduação em História pela UGF.
Especialista em História do Brasil pela UCM.
Mestrado e Doutorado em Memória Social na UNIRIO.

 


 


   
           



Yammer Share

Terça-feira, 05/09/2017

Ciência na palma da mão

Tags: ciência.

 

Professor de Ciências do Ginásio Aldebarã cria aplicativo para professores e alunos.


O professor Leonardo Lima inovou ao pensar o aplicativo Ciências na Palma da Mão que pode ser baixado gratuitamente para Android, o aplicativo auxilia professores de Ciências aproximando o conteúdo acadêmico da sala de aula.


 Veja o que o professor falou para o Rioeduca e baixe o aplicativo em https://play.google.com/store/apps/detailsid=br.com.leonardolima.ciencianapalmadamao
 

 

 

Uma das funções do Ensino de Ciências é contribuir com a formação da cidadania oferecendo condições para que nossos jovens se tornem capazes de reconhecer e aplicar o conhecimento científico e tecnológico no seu cotidiano e em decisões a serem tomadas em prol de seu benefício e da sociedade onde vive. Assim, a escola assume um importante papel na promoção da formação dos nossos estudantes, e pode ser balizada em dois pilares com relação ao Ensino de Ciências: o conhecimento científico e suas metodologias de ensino.

Nossa pergunta de partida é: Como a Aprendizagem móvel pode colaborar com o Ensino de Ciências? 

A Aprendizagem móvel é uma área que estuda como a mobilidade dos alunos, favorecida pela tecnologia pessoal e pública, pode contribuir para o processo de aquisição de novos conhecimentos, habilidades e experiências. Segundo publicações da UNESCO sobre o tema, ela é uma aprendizagem ampliada e apoiada a partir do uso dos dispositivos móveis, tendo como principais características a portabilidade destes dispositivos, sua integração com as diferentes mídias, a mobilidade e flexibilidade dos sujeitos que pode estar tanto fisicamente e geograficamente distantes uns dos outros quanto em espaços físicos formais de aprendizagem escolar. 

O Brasil possui atualmente a quinta maior base de smartphones do mundo, o que poderia oferecer suporte técnico para o desenvolvimento de políticas nacionais voltadas para a Aprendizagem móvel no contexto educacional brasileiro.

O aplicativo Ciência na Palma da Mão é parte de um projeto de pesquisa apresentado ao programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências na Educação Básica da Universidade Unigranrio, sob a oreintação da Prof. Dr. Andrea Velloso e contou com a colaboração da designer Larissa Kreili Aquino e do programador Gabriel Loubake Gomes.

O objetivo do aplicativo é oferecer suporte aos professores de Ciências e Biologia com informações e situações interativas tornando-se uma ferramenta de apoio ao processo de ensino-aprendizado, com a possibilidade de se evitar equívocos relativo a natureza da Ciência, ao cotidiano do fazer científico e de seus atores. 

O aplicativo está dividido em 5 seções: “Cientistas brasileiros” onde o usuário teria acesso aos currículos de pesquisadores na Plataforma Lattes; “Cotidiano da Ciência” se relaciona a disponibilidade de artigos acadêmicos com o objetivo de aproximar os usuários da linguagem das publicações cientificas; “Ciência e o tempo”, corresponde uma linha do tempo sobre os principais momentos da história da Biologia relacionados nos livros didáticos do PNLD 2015; “Mecanismos da Ciência”, onde através do desenvolvimento de atividades experimentais, o usuário teria uma aproximação dos processos da investigação cientifica; “Cientista em ação” é uma seção que apresenta alguns vídeos disponíveis no Youtube sobre alguns pesquisadores; e “Ciência para todos” onde são apresentados alguns sites de divulgação científica. O aplicativo está disponível na plataforma Android a partir da Google Play.


______________________________________________________________

Leonardo Viana de Lima
Graduação em Ciências Biológicas (UFRRJ)
Especialista em Ensino de Ciências (UFF)
Mestrando em Ensino de Ciências na Educação Básica (Unigranrio)
Professor de Ciências e Biologia na rede estadual e municipal do Rio de Janeiro
 


   
           



Yammer Share