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Quinta-feira, 19/10/2017

Entre Jovens e a Roda de Conversa

Tags: entre jovens.

 

Entre Jovens – a sofisticada simplicidade de um projeto educacional e os efeitos das Rodas de Conversa


Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer. Estritamente reservadas para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas em tom muito especial/ lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança. Entretanto são palavras simples...
E tudo é proibido. Então, falamos.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Boitempo'


Saber aprender é ciência que não se esgota. Nessa afirmação, com base nas diversas teorias da Educação, encontramos a premissa mais apropriada para a descrição de uma estratégia de aprendizado que reconfigura a prática de rever conteúdos, reinventando ou adaptando as ações em si mesmas. Isso nos leva – em tempos de novas linguagens e inúmeros aparatos tecnológicos – à necessidade de refletir sobre a prática renovada das rodas de conversa, considerando o poder da oralidade entre adolescentes do nono ano. 

O projeto Entre Jovens, que conquistou espaço na rede de escolas de segundo segmento do município do Rio de Janeiro, tendo mobilizado estagiários e professores, desde 2009, ganha destaque pelos resultados alcançados em 2016, com 99% de aprovação – e também pelo despojamento de recursos e a simplicidade na atuação e na prática do reforço escolar. Do primeiro nome ‘Entre’ alinha-se uma ideia de meio, nas artes do equilibrismo entre criança e adulto, entre professor e aluno, entre estagiários e jovens. 

Na curva do significado podemos afirmar que estar entre jovens, com a tarefa de reforçar conteúdos de Língua Portuguesa e de Matemática, traçando pontes e horizontes para depois do ensino fundamental, não é tarefa pequena, exigindo maleabilidade e traquejo, não apenas como adaptação à realidade, mas também como instrumento de intervenção e mudança. 

Pensadores da Educação na contemporaneidade, como Antônio Nóvoa, reitor honorário da Universidade de Lisboa, sustentam que o que “define a aprendizagem não é saber muito, é compreender bem aquilo que se sabe”, na premissa de que é preciso desenvolver entre os alunos “a capacidade de estudar, a de procurar, de pesquisar, de selecionar, de comunicar”, no propósito de (em meio a uma sociedade em rede) transformar informação em conhecimento com uma atitude permanente de pesquisa (Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/antonio-novoa-aprendizagem-nao-e-saber-muito/.). 

De outra feita, percebemos que saber aprender e saber pensar, máximas de uma escola cidadã, presentes no pensamento do educador Paulo Freire surgem renovadas no século XXI, no esteio de uma sociedade marcada pelas redes de informação, significativamente rizomáticas, considerando o desafio de dar significado a todo o conteúdo, ou seja, consolidar o saber à luz de um por quê. 

O Entre Jovens abarca a camada de maior faixa etária do segundo segmento; configurado como projeto, destina-se a reforçar os conteúdos de Língua Portuguesa e de Matemática, oferecendo aos alunos uma prática de reforço, além de um diferencial para os que desejam enfrentar a seletividade de alguns concursos do ensino médio. Sua difusão em algumas das escolas com o nono ano, entre as onze coordenadorias de ensino da SME, tornou-se possível graças à parceria com Instituto Unibanco, de cunho socioeducacional uma forma de viabilizar propostas voltadas para a educação, associando a iniciativa privada ao conjunto de ações do universo público. O que se mostra relevante à análise neste momento é o princípio da junção elementar da equipe de estagiários, orientados de modo mais imediato pelos professores, ao traço da oralidade, marcada pela roda de conversa, mediada pelo estagiário de Pedagogia. 

Como se sabe a roda de conversa é uma prática de discurso oral, assentada como recurso pedagógico que estimula a linguagem e a assimilação da aprendizagem da leitura. Muito comum nas rotinas do primeiro segmento, a roda não é vista com a mesma constância entre os adolescentes do segundo segmento.

A capacidade de pensar do homem está biologicamente relacionada com sua
 aptidão para falar, para estabelecer comunicação através do discurso oral, em
 qualquer dialeto que seu grupo linguístico tenha escolhido para seu uso, isto
 é, para o fazer compartir entre os seus membros. [...] Do ponto de vista da
 evolução exige-nos reconhecer que a linguagem oral é fundamental em
 nossa espécie, enquanto ler e escrever têm todo o jeito de um acidente
 recente (HAVELOCK, 1996, p. 49-55).

 

Embora o segundo segmento seja reconhecido pela ebulição dos hormônios e a rebeldia própria dos adolescentes, o que se percebe é que a roda estimula uma oralidade marcada pelos signos da conversa. O exercício de falar que surge atado à experiência de ouvir ou de se fazer ouvir. 

Cléo Busatto afirma que o letramento também se faz através da oralidade, nesse caso, “quando lemos um livro em voz alta, estamos praticando a fala estética” (2010, p.7). No que se refere ao cenário dos adolescentes, observamos a existência de mais ruído do que comunicação, nesse caso, unida à rotina da ação pedagógica de exprimir o que se sente, no esteio de textos e dinâmicas que provocam reflexão, a oralidade emerge como espaço de negociação e maleabilidade, oportunidade para pensar a própria escola, no conjunto das práticas que caracterizam o segmento do sexto ao nono ano de escolaridade. Vale, portanto, perguntar: Por que conversar? O que seria, de fato, uma conversa? Com + versar. Transformações do corpo, sexualidade, padrões de beleza, conhecer a si mesmo. Uma espécie de adaptação à filosofia, no sentido menos estoico e mais libertador, sem pré-conceitos. A experiência advinda de reuniões com estagiários e itinerantes apontam para os resultados obtidos nas falas dos alunos. Espaço em que emergem questões relativas ao convívio em sala de aula, muitas vezes até no que diz respeito ao trato entre os sujeitos das unidades escolares. 

Paula Sibilia (2012) chama a nossa atenção para os processos que levaram a uma grande transformação dos modos de expressão, das variadas formas de comunicação e dos campos de construção de si mesmo, considerando “as relações com os outros e a formulação do mundo”, entre os “complexos desdobramentos que ainda estão por ser cartografados”, no curso do que chamamos “civilização da imagem” (2012, p.63). 

Faz-se importante ressaltar, ao longo desse entendimento maior, que a roda de conversa, as oficinas de Língua Portuguesa e de Matemática são coisas que acontecem com a orientação de professores itinerantes e estagiários, mas também alicerçadas por um material pedagógico rico de possibilidades. Entre eles, o Megassaudável, de autoria da Multirio, espécie de diário de bordo da nave adolescência. Com eles, a navegação vai além da Internet (ou refletindo sobre ela), criando redes que cruzam dados e informações de grandes eixos temáticos: espelho X imagem (aparência e autoestima); autonomia e conflito de gerações (como lidar com os dramas da vida adulta); amigos, amizade e convivência (ser aceito pela turma, boas e más companhias); entre outros assuntos que implicam cuidar de si mesmo e viabilizar projetos e planos para o futuro (esse período já quase esquecido em matéria de discurso). 

Na cultura popular ouvimos regularmente que a adolescência é a fase difícil, que os adolescentes são problemáticos. Biologicamente falando, esta é uma fase delicada – deixar de ser criança para se tornar um adulto – isso ocorre ao mesmo tempo em que as cobranças sociais surgem. Período em que o corpo sofre uma série de transformações, fazendo com que as mudanças sejam físicas e emocionais, em um contexto onde nem sempre há suporte e informações que os ajudem a passar por essa fase. 

Atualmente, o Projeto atende a 55 escolas, contabilizando onze Coordenadorias de Educação, 165 estagiários, 19 professores supervisores e itinerantes além de um aparato de ações nas gerências de educação, a fim de valorizar e imprimir significado a um grupo de alunos, na ponta da rede, fundamentalmente na saída dela, com a responsabilidade de levar consigo a experiência acumulada em toda essa formação.

 

Referências

BUSATTO, Cléo. Práticas de Oralidade na sala de aula. São Paulo: Cortez, 2010.
DEMO, Pedro. Saber pensar. São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2005.
HAVELOCK, Eric. A revolução da escrita na Grécia e suas consequências culturais. São Paulo: Unesp; Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
NÓVOA, Antônio. Reportagem sobre aprendizagem. (Disponível em: http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/antonio-novoa-aprendizagem-nao-e-saber-muito/.). Acesso em: 29 agosto/2017.
SIBILIA, Paula. Redes ou Paredes. A escola em tempos de dispersão. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012.

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Profª Márcia Elisa Rendeiro
PI de História na SME.
Graduação em História pela UGF.
Especialista em História do Brasil pela UCM.
Mestrado e Doutorado em Memória Social na UNIRIO.

 


 


   
           



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Terça-feira, 05/09/2017

Ciência na palma da mão

Tags: ciência.

 

Professor de Ciências do Ginásio Aldebarã cria aplicativo para professores e alunos.


O professor Leonardo Lima inovou ao pensar o aplicativo Ciências na Palma da Mão que pode ser baixado gratuitamente para Android, o aplicativo auxilia professores de Ciências aproximando o conteúdo acadêmico da sala de aula.


 Veja o que o professor falou para o Rioeduca e baixe o aplicativo em https://play.google.com/store/apps/detailsid=br.com.leonardolima.ciencianapalmadamao
 

 

 

Uma das funções do Ensino de Ciências é contribuir com a formação da cidadania oferecendo condições para que nossos jovens se tornem capazes de reconhecer e aplicar o conhecimento científico e tecnológico no seu cotidiano e em decisões a serem tomadas em prol de seu benefício e da sociedade onde vive. Assim, a escola assume um importante papel na promoção da formação dos nossos estudantes, e pode ser balizada em dois pilares com relação ao Ensino de Ciências: o conhecimento científico e suas metodologias de ensino.

Nossa pergunta de partida é: Como a Aprendizagem móvel pode colaborar com o Ensino de Ciências? 

A Aprendizagem móvel é uma área que estuda como a mobilidade dos alunos, favorecida pela tecnologia pessoal e pública, pode contribuir para o processo de aquisição de novos conhecimentos, habilidades e experiências. Segundo publicações da UNESCO sobre o tema, ela é uma aprendizagem ampliada e apoiada a partir do uso dos dispositivos móveis, tendo como principais características a portabilidade destes dispositivos, sua integração com as diferentes mídias, a mobilidade e flexibilidade dos sujeitos que pode estar tanto fisicamente e geograficamente distantes uns dos outros quanto em espaços físicos formais de aprendizagem escolar. 

O Brasil possui atualmente a quinta maior base de smartphones do mundo, o que poderia oferecer suporte técnico para o desenvolvimento de políticas nacionais voltadas para a Aprendizagem móvel no contexto educacional brasileiro.

O aplicativo Ciência na Palma da Mão é parte de um projeto de pesquisa apresentado ao programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências na Educação Básica da Universidade Unigranrio, sob a oreintação da Prof. Dr. Andrea Velloso e contou com a colaboração da designer Larissa Kreili Aquino e do programador Gabriel Loubake Gomes.

O objetivo do aplicativo é oferecer suporte aos professores de Ciências e Biologia com informações e situações interativas tornando-se uma ferramenta de apoio ao processo de ensino-aprendizado, com a possibilidade de se evitar equívocos relativo a natureza da Ciência, ao cotidiano do fazer científico e de seus atores. 

O aplicativo está dividido em 5 seções: “Cientistas brasileiros” onde o usuário teria acesso aos currículos de pesquisadores na Plataforma Lattes; “Cotidiano da Ciência” se relaciona a disponibilidade de artigos acadêmicos com o objetivo de aproximar os usuários da linguagem das publicações cientificas; “Ciência e o tempo”, corresponde uma linha do tempo sobre os principais momentos da história da Biologia relacionados nos livros didáticos do PNLD 2015; “Mecanismos da Ciência”, onde através do desenvolvimento de atividades experimentais, o usuário teria uma aproximação dos processos da investigação cientifica; “Cientista em ação” é uma seção que apresenta alguns vídeos disponíveis no Youtube sobre alguns pesquisadores; e “Ciência para todos” onde são apresentados alguns sites de divulgação científica. O aplicativo está disponível na plataforma Android a partir da Google Play.


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Leonardo Viana de Lima
Graduação em Ciências Biológicas (UFRRJ)
Especialista em Ensino de Ciências (UFF)
Mestrando em Ensino de Ciências na Educação Básica (Unigranrio)
Professor de Ciências e Biologia na rede estadual e municipal do Rio de Janeiro
 


   
           



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Quinta-feira, 31/08/2017

Professores Homens na Educação Infantil

Tags: educação, infantil.

 

 

PROFESSORES HOMENS NA EDUCAÇÃO INFANTIL:
A EXPERIÊNCIA DE UMA MINORIA NO MUNICÍPIO CARIOCA

 


Autor: Rodrigo Ruan Merat Moreno

 


Ao adentrar em algumas, poucas, salas de Educação Infantil no Município do Rio de Janeiro temos a oportunidade de ver professores homens, sentados em roda com as crianças, levando ao banheiro, trocando fraldas, dando banho, participando dos momentos de alimentação. Para muitos essa cena causa um estranhamento: “Não seria mais adequado uma mulher cuidar de uma criança tão pequena?”.

Quebrando diferentes paradigmas, de acordo com dados do Censo Escolar, cerca de 3% dos docentes que atuam na Educação Infantil no Brasil são do sexo masculino. Focalizando na Rede Pública da cidade do Rio de Janeiro, considerada a maior Rede da América Latina, vislumbramos um cenário que se assemelha a de uma minoria. Dos professores que ingressaram nos dois primeiros concursos para o cargo, nos anos de 2010 e 2012, apenas 97 são homens, de um total de 5.017 professores, conforme o Recursos Humanos Geral da Prefeitura do Rio de Janeiro informou no ano de 2016. 

Ressalta-se que no último concurso para o cargo de Professor de Educação Infantil, realizado em 2015, nas três primeiras convocações para posse realizadas em março, abril e junho de 2016, dos 1647 candidatos convocados, somente 30 eram homens, ou seja, apenas 1,82% dos convocados eram do sexo masculino. 

Com esses pressupostos, ponderando sobre essa minoria e tentando responder diferentes questões que surge e desenvolve a pesquisa: “Professores Homens na Educação Infantil do Município do Rio de Janeiro: Vozes Experiências, Memórias e Histórias”. 

A referente investigação buscou entender parte da dinâmica que envolve as histórias de vida dos professores homens que atuam na Educação Infantil da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro. A pesquisa tinha como objetivo central conhecer e compreender como os movimentos da vida fizeram com que os homens optassem pelo ofício da educação e cuidado da criança pequena, além de identificar e mapear o quantitativo de docentes homens atuando na EI no Município Carioca, analisar como foi o processo de escolha e inserção na presente Rede e, por fim, compreender como a memória, as experiências e as histórias de vida contribuíram para o desenvolvimento da identidade profissional desses educadores.

Como metodologia, foram utilizadas as histórias de vida atreladas às entrevistas como forma de compreender toda a dinâmica envolvendo esses educadores. Cabe esclarecer que as histórias de vida constituem uma metodologia na qual a subjetividade, a memória, o discurso e o diálogo se fazem presentes. Através das falas, o sujeito pondera sobre sua existência, resignificando sua vida por meio do tempo, transformando em dados para a pesquisa, onde percebemos aspectos culturais, sociais e históricos. Essa metodologia não é um desencadeamento de fatos e relatos ocorridos, mas um panorama de uma experiência de vida comunicada.

Durante o percurso deste estudo, conhecemos 15 professores de diferentes CREs, trazendo à tona temas referentes ao gênero, à relação com seus pares e à vivência com as crianças na prática pedagógica cotidiana.

As questões envolvendo as masculinidades e, consequentemente, o gênero percorreram grande parte das entrevistas com os educadores, mas não somente como um relato de fatos e/ou denúncias, mas trazendo diferentes análises sobre o papel e função do homem na prática com as crianças da Educação Infantil.

Dentre as tantas reflexões que tivemos nessa trajetória, percebemos a figura de um “homem exótico”, ou seja, esse que ocupa um espaço que “não” pertencente a ele, devido ao seu sexo e gênero, e que, consequentemente, causa um estranhamento em seu entorno. Sobre tal prespectiva, percebemos que a docência é um desses principais espaços de “questionamento”; pois, devido a fatores históricos, sociais, culturais e políticos, se configurou como uma profissão “exclusivamente” das mulheres, especialmente devido a sua vinculação o ato de “cuidar” e “maternar” associado ao gênero feminino.

Apesar de ter um contexto social no qual estão inseridos, a associação com o feminino é uma adjetivação que os professores não internalizam e/ou aceitam em sua prática, ou seja, eles não tendem a “feminilizar-se”. Os docentes vivem a especificidade de suas masculinidades, mas observamos em suas falas que eles entendem os fatores externos e de um ideário social e cultural que foi construído sobre suas imagens e seu papel. Refletimos, que, ao mesmo tempo em que vivem suas funções como docentes de crianças pequenas, seu lado “masculino diferenciado”, eles não negam que existam diferentes visões sobre ser homem.

Um dos dados que consideramos relevantes em nossa investigação é que não podemos generalizar que todos os professores homens passam e/ou sofrem situações adversas devido ao seu ofício com as crianças. Cabe ressaltar que não trazemos durante o estudo a palavra “preconceito”, pois cremos que ela é subjetiva e pode trazer diferentes interpretações sobre. 

Os questionamentos sobre “o lugar” desse docente, muitas vezes, vem de um contexto externo, como famílias, direções e educadores, porém observamos que tais questionamentos também possuíam uma origem e cunho interno, ou seja, dos próprios educadores. 

Notamos, que, com o passar dos anos no magistério direcionado à criança pequena, nossos professores criaram estratégias para as diferentes adversidades e também como forma de autoafirmação perante a eles mesmos e a sociedade. Acreditamos que as experiências vividas trazem esses ‘insights’ e novos modos de observar a realidade e resignificar sua masculinidade. Sim, homens podem cuidar e educar crianças pequenas!

Por fim, os resultados mostram que esses professores homens, que são uma minoria no sentido de vez e voz, rompem com diferentes barreiras, resignificam suas práticas e seu ser professor enfrentando diferentes questões e mostrando suas singularidades, que vão além ser somente um homem na educação e cuidado das crianças pequenas.

 

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Rodrigo Ruan Merat Moreno

Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC - RJ (2017), atualmente desenvolve pesquisa a cerca das histórias de vida dos Professores Homens que trabalham com Educação Infantil no Município do Rio de Janeiro. Pós-graduado em Educação Infantil (lato sensu) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), concluído em 2012/2. Graduado em Pedagogia na Faculdade de Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) no ano de 2011. Desde 2013 é Professor do Município do Rio de Janeiro trabalhando com turmas de Educação Infantil. Atuou com turmas de Educação Infantil no Colégio Pedro II como Professor Substituto (contratado) durante os anos de 2013 e 2014. Trabalhou na Escola Oga Mitá com turmas de Educação Infantil durante o ano de 2010 até 2013. Tem experiência em pesquisa na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de leitores, práticas de leitura na escola e na sociedade, gênero, afetividade, masculinidades e Educação Infantil.

 


 


   
           



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Terça-feira, 22/08/2017

Novas Tecnologias e Sua Utilização Nas Aulas de Educação Física: O Caso do Rio De Janeiro

GLHEVYSSON DOS SANTOS BARROS
CLEONICE PUGGIAN
FELIPE DA SILVA TRIANI

Universidade do Grande Rio – UNIGRANRIO, Duque de Caxias, RJ, Brasil.


Resumo

Este artigo investiga a adoção de tecnologias da informação e comunicação (TIC) para as aulas de educação física, em especial os exergames, que envolve movimentos corporais durante os jogos. Sabe-se que a educação física escolar está mais relacionada com as questões da cultura corporal, no entanto podemos utilizar as tecnologias para trabalhar estes movimentos por meio dos jogos eletrônicos. Desta forma, o objetivo do estudo é investigar sobre o uso das mídias digitais pelos professores de educação física da SME-RJ, em especial o vídeo game, que constitui valiosa ferramenta pedagógica para ser utilizada no processo educacional.

Palavras chaves: Tecnologia da Informação e Comunicação, exergames, educação física escolar.

 

Introdução

Segundo Kenski (2010, p. 18), a definição de tecnologia é: “o conjunto de conhecimento e princípios científicos que se aplicam ao planejamento em um determinado tipo de atividade”. Assim, a tecnologia está nas coisas mais comuns do nosso cotidiano, porém pouco se percebe por ser algo tão simples e evidente. Como exemplo, ao realizarmos nossa alimentação, usamos talheres, fruto da tecnologia, pois estes itens foram planejados e construídos graças a “habilidade especiais de lidar com cada tipo de tecnologia, para executar ou fazer algo, o que é chamado de técnica”. 

Segundo Kenski (2010), viver sem a tecnologia atualmente, é difícil, pois como visto, ela faz parte do dia a dia. Na era contemporânea, a tecnologia é mais notória graças aos avanços científicos da humanidade. Nesse cenário, considerando o contexto educacional, as mídias digitais vêm surgindo como uma nova ferramenta de comunicação, possibilitando uma ampliação do processo ensino aprendizado (BARACHO; GRIPP; LIMA, 2012).

Essa ampliação segundo Sena (2011, p.2), é feita por meio da utilização da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) nas escolas, servindo como opção de uso e suporte pelos professores, pois “possibilitam através das mídias e tecnologias novas formas de transmissões de conteúdos pedagógicos, aumentando o acesso de informação e reconfigurando o espaço escolar”.

Desta forma, é fundamental saber que, as Tecnologias da Informação e Comunicação estão presentificadas na contemporaneidade conforme citado e seu alcance é mundial, mas há discussões sobre a forma de utilizá-las (KENSKI, 2010). Embora não sejam os únicos, destacam-se nessa temática os cenários educacionais (SILVA, 2009; BIANCHI, 2010).

Para alguns educadores, os jogos eletrônicos tornam-se uma opção negativa para o processo educacional, pois além de fazer mal para visão, muitos alunos ficam desinteressados pelos estudos. Já na visão de outros educadores, os jogos vêm como uma opção de estimular mais a parte cognitiva do aluno, uma vez que há games que requerem muitas percepção e estratégias, desenvolvendo assim a inteligência (RODRIGUES JUNIOR; SALES, 2012).

Ao considerar a força das discussões sobre as novas tecnologias que ainda estão latentes na atualidade, o objetivo dessa pesquisa foi identificar, por meio de um questionário online, quais as tecnologias os professores de educação física da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-RJ) utilizam nas aulas.

 

Percurso Metodológico

Na tentativa de atingir o objetivo deste manuscrito, adotou uma pesquisa qualitativa e quantitativa, tendo a revisão de literatura como procedimento metodológico e a análise estatística. Dessa maneira, para o levantamento de bibliográfica foi utilizado o Google Scholar ferramenta de busca. Já com relação aos dados quantitativos, foram coletados por meio de um questionário online aplicado com auxílio do programa SurveyMonkey, que é uma ferramenta para pesquisa online. Ressalta-se que a tabela apresentada no texto é uma parte da pesquisa de dissertação sobre o uso das tecnologias digitais nas aulas de educação física.

Com relação ao levantamento bibliográfico, o critério de inclusão se deu da seguinte maneira: foram selecionados os artigos publicados a partir do ano 2000 que se mostraram indispensáveis para referenciar o presente estudo.

Com relação ao questionário, tivemos um total de 160 professores de educação física da SME-RJ da 3ª, 4ª, 10ª e 11ª Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) que contribuíram com a pesquisa. No entanto, a amostra foi composta por 139 docentes. Houve autorização por meio da SME-RJ para que este questionário fosse aplicado junto aos professores. Os mesmos responderam por meio de um link, que foram encaminhadas as escolas através de um e-mail pelas Coordenadorias de Educação.

 

Resultados e Discussão

Os dados foram coletados por meio de um questionário online direcionado aos professores de educação física da SME-RJ nos meses de maio e junho de 2016 e a análise dos dados caracterizou-se por meio de tabela. Sendo assim, a Figura I apresenta os equipamentos tecnológicos que os professores utilizam nas aulas de educação física. Ressalta-se que o professor poderia assinalar mais de um item.

 

Figura I. Aparatos que os professores de educação física da SME-RJ costumam utilizar nas aulas

 

Ao analisar a Figura I é possível perceber que 61,9% disseram que utilizam aparelho de som, 59% usam datashow nas aulas, 49,6% utilizam computadores, 40,3% utilizam televisão e DVD nas aulas, 25,2% utilizam smartphones, 23,7% utilizam câmera de fotografia/filmagem, 13,7% usam retroprojetor.

Além desses, 5% disseram que utilizam o vídeo game, esses dados induzem a reflexão de que a presença das tecnologias digitais nas escolas tem possibilitado o uso de novas ferramentas didáticas para o ensino, isto é, jogos eletrônicos (exergames). Além disso, corrobora-se com estudos anteriores ao discutir que os jogos constituem mais um suporte para o ensino (WEBER; SANTOS; CRUZ, 2014). Cabe ressaltar que os exergames são jogos eletrônicos que associam movimentos do corpo com os gestos realizado pelo jogador (VAGUETTI; MUSTARO; BOTELHO, 2011; RODRIGUES JUNIOR; SALES, 2012; BARACHO; GRIPP; LIMA, 2012).

Segundo Vaghetti, Mustaro e Botelho (2011), algumas universidades e escolas já pensam em colocar em suas grades curriculares os exergames como uma possibilidade, pois esses jogos além de serem benéficos para a saúde, por realizar atividades de variadas intensidade de acordo com cada jogo, exploram também as habilidades motoras durante sua prática.

No entanto, se torna indispensável que o professor oriente os alunos quanto ao uso inadequado/exagerado que pode ocasionar riscos à saúde (BARACHO; GRIPP; LIMA, 2012), com efeito, causar dependência, além de “prejuízos na questão social, profissional, familiar e profissional” (VAGHETTI; MUSTARO; BOTELHO, 2011, p.119).

Nessa direção, os jogos eletrônicos modernos fazem cada vez mais parte do cotidiano das crianças e adolescentes com idade escolar, exigindo mais movimentos corporais, além de possuir também uma qualidade gráfica excelente, diferente dos games antigos que eram restritos ao uso de botões, alavancas e imagens de baixa qualidade (JUNIOR; SALES, 2012).

Além disso, houve o caso de 21 professores de educação física que não quiseram opinar. Esses casos e outros que resistem ao uso das tecnologias nas aulas podem estar negando a cultura dos alunos. De fato, percebe-se que é necessário pensar em novas estratégias quando se refere ao processo pedagógico, já que a mídia eletrônica faz parte do cotidiano dos jovens e trazem para as aulas de educação física elementos que norteiam a cultura dos alunos, podendo contribuir para melhorias nos processos educacionais de ensino e aprendizagem, além de colaborar para formar um cidadão participativo e crítico (RODRIGUES JUNIOR; SALES, 2012).

Portanto, considerando o âmbito escolar e relacionando os resultados supracitados ao estudo de Baracho, Gripp e Lima (2012, p. 113) é visível que o uso da tecnologia se apresenta como:

 

  Um recurso potencializador do espaço de sala de aula tradicional. Podendo ser utilizado como uma nova forma de motivação dos alunos, uma vez que é dotado de alto poder de ilustração e constitui-se como uma ferramenta educacional que oportuniza diferentes experiências.

 

Desta maneira, a utilização de metodologias alternativas nas aulas, por intermédio das mídias e de programas educacionais, surge com intuito de contribuir e proporcionar aulas mais dinâmicas e prazerosas (AMORIM et al., 2012). Ressalta-se ainda que, os veículos midiáticos como jornais, televisão e internet possuem grande influência sobre os jovens (DINIZ; RODRIGUES; DARIDO, 2012).

Assim, segundo Diniz, Rodrigues e Darido (2012, p.186) “a escola enquanto instituição social está inserida neste contexto de intenso desenvolvimento, onde as mídias são componentes que ocupam um espaço expressivo no cotidiano”. Logo, a gestão pedagógica deve-se adequar e não ignorar o uso desses recursos nas escolas, já que vivemos em um mundo tecnológico (WEBER; SANTOS; CRUZ, 2014).

Com a sociedade vivendo nesse universo digital, muitos dos jovens fazem uso constante dos recursos tecnológicos no seu cotidiano e, com as tecnologias nas salas de aulas, há possibilidades de outras formas de aprendizagem pelos alunos, alternativas às tradicionais, pois muitos desses aparatos apresentam materiais e conteúdos pedagógicos de qualidade, enriquecendo e potencializando assim o aprendizado (WEBER; SANTOS; CRUZ, 2014).

 

Conclusão

Com o objetivo de identificar, por meio de um questionário online, quais as tecnologias os professores de educação física da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-RJ) utilizam nas aulas, esse artigo analisou de maneira críticas os recursos tecnológicos de utilização dos docentes. Nesse sentido, percebeu-se que há utilização desses aparatos por parte dos professores, porém, há limitações no que tange à falta de preparação profissional, condições limitadas do ambiente que não proporciona estrutura física adequada para inserção das tecnologias no ambiente pedagógico e custo benefício para equipar as salas com vídeo game.

Diante da pesquisa realizada, foi possível perceber que o aparelho de DVD, a televisão, o aparelho de som, computador e projetor são os recursos tecnológicos mais utilizados pelos professores. Por outro lado, em menor número de utilização foi citado o vídeo game que, considerando os estudos presentes na discussão do artigo, constitui valiosa ferramenta pedagógica para ser utilizada no processo educacional.

Destarte, ainda há muito para investigar tendo os recursos tecnológicos no ambiente educacional como objeto de estudo. Nessa investigação é notável que as novas tecnologias façam parte do cotidiano escolar, embora sua utilização seja limitada por conta da formação profissional e condições ambientais. Logo, é importante ressaltar que esse estudo limitou-se a identificar as ferramentas tecnológicas utilizadas por professores de educação física, sendo assim, é necessário que outros sejam realizados, a fim de identificar os motivos pelo qual são utilizados, bem como suas possibilidades e limitações.

 

REFERÊNCIAS

AMORIM, Nádia Ribeiro; SOUZA, Maria Alice Veiga Ferreira de; TERRA, Vilma Reis; LEITE, Sidnei, Quezada Meireles. Cineclube na escola: uma proposta sociocultural interdisciplinar para a promoção da alfabetização científica. Revista Eletrônica Debates em Educação Científica e Tecnológica, v. 02, n. 2, p. 111-121, 2012.

BARACHO, Ana Flávia de Oliveira; GRIPP, Fernando Joaquim; LIMA, Márcio Roberto de. Os exergames e a educação física escolar na cultura digital. Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Florianópolis, v. 34, n. 01, p. 111-126, jan./mar. de 2012.

BIANCHI, Paula. Relato de experiência em mídia-educação (física) com professores da rede municipal de ensino de Florianópolis/SC. Pesquisa em educação física e mídia: contribuição do LaboMidia/UFSC. Florianópolis: Tribo da Ilha, 2010.

DINIZ, Irlla Karla dos Santos; RODRIGUES, Heitor de Andrade; DARIDO, Suraya Cristina. Os usos da mídia em aulas de educação física escolar: possibilidades e dificuldades. Movimento, Porto Alegre, v. 18, n. 03, p. 183-202, jul./set. de 2012.

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. 8. Ed. Campinas: Papirus, 2010. 

RODRIGUES JUNIOR, Emílio; SALES, José Roberto Lopes de. Os jogos eletrônicos no contexto pedagógico da educação física escolar. Conexões: revista da faculdade de educação física da UNICAMP, Campinas, v. 10, n.01, p. 70-82, jan./abr. 2012.

SENA, Dianne Cristina Souza de; As tecnologias da informação e da comunicação no ensino da educação física escolar. Hipertextus Revista Digital, n.06, ago. de 2011.

SILVA, Marco. Infoexclusão e analfabetismo digital: desafios para a educação na sociedade da informação e na cibercultura. FREITAS, Maria Teresa de Assunção (org.). Cibercultura e Formação de Professores. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

VAGHETTI, César Augusto Otero; MUSTARO, Pollyana Notargiacomo; BOTELHO Silvia Silvio da Costa. Exergames no ciberespaço: uma possibilidade para educação física. Proceedings of SBGames, Salvador-BA, 2011.

WEBER, Aline; SANTOS, Edmea; CRUZ, Mara Monteiro da; Letramento e alfabetização na cibercultura: crianças e jovens em rede, desafios para educação. Leitura: teoria e Prática, Campinas, v.32, n.62, p. 59-73, jun. de 2014.

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Possui graduação em Educação Física pelo Centro Universitário da Cidade (2009), Graduação em Educação Física pela Universidade Estácio de Sá (2014), especialização em Educação Física escolar e Psicomotricidade pela Universidade Gama Filho(2011) e Mestrado em Humanidades, Cultura e Artes pela Unigranrio (2016). Atualmente é professor da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Universidade Anhanguera. 


 


   
           



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