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Segunda-feira, 06/07/2015

Ciências com Coerência

Tags: ciências, currículo, professor.

 

 

Por vezes ouvimos que, na disciplina de Ciências, não há pré-requisitos. Isso me preocupa muito, pois  existe uma coerência no currículo de Ciências.

Podemos buscar essa coerência na própria Educopédia. Se observarmos bem, podemos ver certos objetivos trabalhados com maior profundidade no decorrer dos anos de escolaridade. A sensação é de que não há dependência entre o conteúdo de um ano para outro ano.

Mas não vejo que seja assim. Vou dar um exemplo para ilustrar essa linha de pensamento.

As mudanças dos estados físicos da água começam a ser trabalhados no quarto ano, quando falamos do Ciclo da Água.

 

 

No sexto ano, voltamos a trabalhar o mesmo conteúdo de mudanças de estados físicos da água. No entanto, já podemos introduzir a relação de molécula da água e calor.

 

 

E, finalmente, no nono ano trabalhamos as mudanças de estados físicos da água. Nesse ano, veremos o mesmo conteúdo com mais um conceito envolvido: energia.

 

 

O mesmo conteúdo é trabalhado em três anos de escolaridades diferentes, porém com maior profundidade. É como se fosse uma espiral.

Uma boa sugestão que posso dar é que se sua turma precisa de um reforço, você pode usar uma aula de um ano anterior.

Isso é muito importante, pois fica bem mais fácil. Como se fosse uma corrida de revezamento, cada um de nós tem que entregar o bastão da melhor maneira possível.
 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Segunda-feira, 15/06/2015

Estratégias e Recursos da Web 2.0 para o Ensino de Artes

Tags: artes, tecnologia, professor.

 

 

 

Estratégias e Recursos da Web 2.0 para o Ensino de Artes

 

O mundo digital é um dos locais em que os alunos têm acesso direto às informações com muita rapidez. Sendo assim, o professor pode utilizar recursos desse ambiente para planejar suas aulas e incorporar os conteúdos e conhecimentos de acordo com os objetivos de seus cursos e suas disciplinas. É nesse contexto que se vislumbra a importância da utilização dos recursos da Web 2.0. Com eles, o ambiente on-line tornou-se mais dinâmico, o que interfere significativamente na forma de pensar a educação, pois a “geração Internet” prefere trabalhar em equipe, pesquisar, explorar e interagir (LIMA, 2012).


Passarelli (2007) nos mostra que o modelo pedagógico tradicional apresenta sinais de desgaste e não atende mais às necessidades da sociedade pós-moderna, pois, atualmente, são valorizadas as habilidades relacionadas ao julgamento, à solução e interpretação de problemas. A memorização agora dá lugar à busca de informações necessárias.
Nesse sentido, segundo Santaella (2013), é possível afirmar que, graças aos dispositivos móveis interconectados e conectados à Internet, as mediações pedagógicas construídas com base em novas tecnologias são formas de aprendizagem abertas que propiciam processos de aprendizagem espontâneos, assistemáticos e mesmo caóticos, atualizados ao sabor das circunstâncias e de curiosidades contingentes. Estes são possíveis, porque o acesso à informação, comunicação e aquisição de conhecimento torna-se colaborativo, compartilhável, ubíquo e pervasivo.


Em relação ao espaço e tempo docente, as tecnologias redimensionam a sala de aula em pelo menos dois aspectos. O primeiro diz respeito aos procedimentos realizados pelo grupo de alunos e professores no próprio espaço físico da sala de aula. Nesse ambiente, a possibilidade de acesso a outros locais de aprendizagem – bibliotecas, museus, centros de pesquisas, outras escolas etc. –, com os quais alunos e professores podem interagir e aprender, modifica toda a dinâmica das relações de ensino e aprendizagem. O segundo aspecto é o próprio espaço físico da sala de aula, que também se altera (KENSKI, 2003).

 

 

O papel do professor de Arte na contemporaneidade


A arte tem importância na educação em geral devido à função indispensável que ocupa na vida das pessoas e na sociedade desde os primórdios da civilização, constituindo-se em um dos fatores essenciais de humanização. Ela imprime sua marca ao demandar um sujeito da aprendizagem criador, propositor, reflexivo e renovador. Os processos de desconstruir para reconstruir, selecionar, reelaborar, partir do conhecido e modificá-lo de acordo com o contexto e a necessidade são desenvolvidos pelo fazer e ver arte e decodificadores fundamentais para a sobrevivência no mundo atual (BARBOSA, 2005, p.100).


Semelhantemente, Iavelberg (2009) defende que a arte humaniza a formação porque garante às pessoas espaço para interações cuja principal finalidade é o valor simbólico da interlocução intersubjetiva. É possível, por intermédio da arte, colocar-se no mundo de modo autoral, não submisso, percorrendo tempos e espaços variados, gerando modos de conhecer e compreender a vida e a criação, articulando cognição, valores, ação criativa com construção de significados e, ainda, percepção e atribuição de qualidades com sensibilidade. Uma educação com arte precisa trazer arte de qualidade para os alunos, de modo que a identidade da criança e do jovem possa reconhecer-se nessas referências e na força dessas criações. Também para que os alunos percebam como é importante ter autoria nos próprios trabalhos, protagonismo nas formas, ações e escolhas em arte.


Aqueles que vivem nas fronteiras da arte são denominados artistas-pesquisadores-professores (ART – acrônimo em inglês para artist-researcher-teacher). Eles reconhecem a vitalidade de um espaço intermediário dessas fronteiras ao recriarem, repesquisarem e reaprenderem modos de compreensão, apreciação e representação do mundo. Os ARTs reconhecem que a arte, pesquisa e ensino não são feitos, mas vividos. Talvez todos os educadores desejem se tornar artistas-pesquisadores-professores quando começarem a se questionar sobre como têm ensinado, desejarem criar e almejarem suas próprias expressões de certeza e ambiguidade (IRWIN, 2008).


Nessa perspectiva, para Iavelberg (2002) é o professor quem promove o fazer artístico, a leitura dos objetos estéticos e a reflexão sobre a arte, de modo que o aluno possa se desenvolver como um sujeito governado por si próprio ao mesmo tempo em que interage com os símbolos da cultura. Além de debater os conteúdos específicos da área, o professor deve estar atento para o temperamento de cada aluno, observando suas ações e individualidades.

 

Experiências com recursos web 2.0 no ensino de Artes  

Os recursos da Internet favorecem as mais variadas formas de atividades, como aquelas que utilizam vídeos sobre o percurso criador de um artista e sites interativos de museus virtuais, entre outros, garantindo a alunos e professor acesso rápido a imagens e textos de vários gêneros. Sobre essa apropriação e ressignificação da imagem com recursos tecnológicos, é preciso que os professores sejam preparados adequadamente para que, além de saberem explorar os programas de tratamento de imagens no computador, possam realmente propiciar o aprendizado em arte (SOTTO, 2006).


Na experiência relacionada a este trabalho, os alunos do segundo segmento do Ensino Fundamental de uma instituição pública do Rio de Janeiro, com faixa etária entre 12 a 15 anos, produziram OAs a partir dos conteúdos abordados nas aulas de Artes Visuais, utilizando vídeos como recurso.


Na série "Formas com Arte", por exemplo, em um dos vídeos, solicitava-se que o aluno desenhasse as iniciais de seu nome dentro de um círculo a partir da frase “pela lente, eu vejo minha vida assim”, seguida de exemplos, como autorretrato. Vale lembrar que todos os vídeos foram produzidos pelos alunos e a técnica utilizada foi pintura com lápis de cor, utilizando régua e tampas plásticas para a confecção dos moldes vazados.

 

Série Formas com Arte 1, 2, 3, 4, 5 e 6

Imagem 1 – Série "Formas com Arte" 1, 2, 3, 4, 5 e 6.


Considerações finais

A utilização dos recursos da web 2.0 e seu processo de implementação podem auxiliar muito no processo de ensino e no desenvolvimento de novos cursos e de materiais educacionais, visando facilitar o processo de ensino e aprendizagem de um conteúdo, seja de Artes Visuais ou de qualquer outra disciplina, pois permitem que o aluno acompanhe o conteúdo de acordo com o seu próprio ritmo, acessando facilmente a informação de forma independente e autônoma num aprendizado por descoberta.


O professor tem papel significativo na construção da identidade artística e cultural dos alunos. É ele que promove o fazer artístico, a leitura de objetos estéticos e a reflexão sobre arte, de modo que o aluno possa desenvolver sua autonomia. Ao mesmo tempo, ele deve interagir com os símbolos da cultura, buscando utilizar e explorar pedagogicamente os programas que serão colocados à disposição dos alunos, a fim de propiciar realmente o aprendizado e, ainda, conhecer as diversas interfaces entre essa tecnologia e o ensino da Arte.  

Em virtude dessa experiência, houve a produção de mais vídeos, que estão disponíveis na página do Youtube. 


Na Educopédia, podemos encontrar várias aulas de Artes com muitos recursos citados no texto. Confira!

 


Referências Bibliográficas

BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos. Dilemas da Arte/Educação como mediação cultural em namoro com as tecnologias contemporâneas. In: Barbosa, A. M. (Ed.). Arte/Educação contemporânea: consonâncias internacionais, Editora Cortez, Brasil, 2005. p. 98-112.

_________________. Arte/educación en Brasil: hagamos educadores del arte. Conclusiones de la Conferencia regional sobre educación artística en América Latina y el Caribe. Vol. 6. 2001.

__________________. Educação e Cultura. Rio de Janeiro: Arte na Escola, 2000.

BURGESS, Jean E.; GREEN, Joshua B. YouTube: Online video and participatory culture. Polity press, 2009.

HAGUENAUER, Cristina Jasbinschek. Tendências da Educação e da Comunicação em um Contexto de Mudanças. In Os Desafios da Educação Online e a Contribuição do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação LATEC/UFRJ/ Cristina Haguenauer, Francisco Cordeiro Filho (orgs.). 1 ed. Curitiba,PR: CRV, 2012.

HODGINS, H. W. The future of learning objects. 2004. In D. A. Wiley (Ed.), The Instructional Use of Learning Objects: Online Version. Retrieved MONTH DAY, YEAR, from the World Wide Web: http://reusability.org/read/chapters/hodgins.doc

IAVELBERG, R. Construção de Conhecimento Artístico e Didático na Formação de Professores. Revista Palíndromo Online, v. 1, p. 20-40, 2009.

________________. Para Gostar de Aprender Arte: sala de aula e formação de professores. Porto Alegre, Artmed, 2002.

IRWIN, Rita. A/r/tografia: Uma Mestiçagem Metonímica, in BARBOSA, Ana
Mae e AMARAL, Lilian [Orgs.]. InterTerritorialidade: fronteiras intermídias, contextos e educação. 2008. SP: Editora Senac/SESC

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e à distância. Campinas, SP: Papirus Editora, 2003. – (Série Prática Pedagógica).

LIMA, Luciana Guimarães Rodrigues de; HAGUENAUER, Cristina Jasbinschek Percepções sobre Comunicação e Interação em Ambientes Virtuais de aprendizagem. In Os Desafios da Educação Online e a Contribuição do Laboratório de Pesquisa em Tecnologias da Informação e da Comunicação LATEC/UFRJ/ Cristina Haguenauer, Francisco Cordeiro Filho (orgs.). 1 ed. Curitiba,PR: CRV, 2012.

_______________________________Formas com Arte 1. Disponível em: Acesso em novembro de 2013.
_________________________________Formas com Arte 2. Disponível em:
Acesso em novembro de 2013.
_______________________________Formas com Arte 3. Disponível em: Acesso em novembro de 2013.
_______________________________Formas com Arte 4. Disponível em: Acesso em novembro de 2013.
_______________________________Formas com Arte 5. Disponível em: Acesso em novembro de 2013.
_______________________________Formas com Arte 6. Disponível em: Acesso em novembro de 2013.

MATTAR, João; DO TRABALHO, Natureza. YOUTUBE NA EDUCAÇÃO: O USO DE VÍDEOS EM EAD. Disponível em:
http://www.joaomattar.com/YouTube%20na%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20o%20uso%20de%20v%C3%ADdeos%20em%20EaD.pdf Acesso em: 21 de setembro de 2013.

NASCIMENTO, Anna Christina Aun de Azevedo Nascimento. Aprendizagem por meio de repositórios digitais e virtuais. In Educação a Distância: o estado da arte/ Fredric Michael Litto, Manuel Marcos Maciel Formiga (orgs.) São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

________________. Objetos de aprendizagem: entre a promessa e a realidade. In: NASCIMENTO, A. C. de A; PRATA, C. (org.). Objetos de aprendizagem: uma proposta de recurso pedagógico. Brasília: MEC, SEED, 2007, p. 135-145.

NUNES, C. A. A. Objetos de aprendizagem em ação. In: PICONEZ, S. C. B. (Org.) . Educação & Tecnologia & Cidadania: Ambientes Virtuais de Aprendizagem no Ciberespaço - Série Cadernos Pedagógicos Reflexões, número 6. 1. ed. São Paulo, USP/FE/NEA / Artcopy. v. 1, n. 6, p.113-28, 2004.

PASSARELLI, Brasilina – Interfaces Digitais na Educação: @lucin[ações] consentidas. São Paulo: Escola do Futuro da USP, 2007.

PRATA, C. L. ; NASCIMENTO, A. A. A. ; PIETROCOLA, Maurício . Políticas para Fomento de Produção e Uso de Objetos de Aprendizagem. In: Carmem Lúcia Prata e Anna Christina Aun de Azevedo Nascimento(Org.). Objetos de Aprendizagem: uma Proposta de Recursos Pedagógicos. 1 ed. Brasília: Ministério da Educação, 2007, v. p. 107-122.

SANTAELLA, Lucia. Comunicação Ubíqua: repercussões na cultua na educação. São Paulo: Paulus, 2013. – (Coleção Comunicação)

__________________. Linguagens Líquidas na Era da Mobilidade. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2007.

_____________. Por que as comunicações e as artes estão convergindo? São Paulo: Paulus, 2005.

SOTTO, Maria Ines da Silva. Educação Escolar, Artes, Teatro e Cidadania – o Projeto Ensinar e Aprender. Dissertação (Mestrado em Educação), Universida de Sorocaba, São Paulo. SP, 2006.

WILEY, David. Connecting learning objects to instrucional design theory: a definition a metaphor, and a taxonomy. In WILEY, D.A. (ED.) The Instructional Use of Learning Objects: Online Version, 2000. http://wesrac.usc.edu/wired/bldg-7_file/wiley.pdf

__________________ The Post-LEGO Learning Object, November 5, 1999.
http://opencontent.org//docs/post-lego.pdf

Extraído de: LIMA, L. G. R. ; HAGUENAUER, C. J. . Estratégias e Recursos da Web 2.0 para o Ensino de Artes. Revista Educaonline, v. 9, p. 1-13, 2015.
 


  Luciana Guimarães Rodrigues de Lima
  Professora de Artes Visuais da SME
  Doutora em Linguística Aplicada  

 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Sexta-feira, 05/06/2015

Professor e Aluno como Agentes Transformadores na Máquina de Publicar da Educopédia

Tags: educopédia, máquinadepublicar, autores, livro, livrodigital.

 

 

 

Há muito tempo, ouve-se o professor reclamar pelo direito de deixar de ser apenas consumidor e passar a ser produtor de conteúdo. O mesmo se ouve do aluno em novas teorias de aprendizagem, ou seja, que este deve assumir um papel ativo em sua formação. Vejamos como isso funciona com a Máquina de Publicar da Educopédia.

 

A Plataforma Educopédia é resultado da construção colaborativa entre professores conteudistas, revisores e usuários de suas aulas digitais. Contudo, há uma outra ferramenta bastante poderosa nesse sentido: a Máquina de Publicar.

 

Seu livro pode ter texto, desenho, quadrinhos, imagem, áudio ou vídeo.


A Máquina de Publicar está situada dentro da Educoteca, a biblioteca virtual da Educopédia, e consiste em uma ferramenta que permite ao professor ou aluno da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro, por meio de login e senha*, a produção de livros digitais. Os livros podem contar com trilha sonora, imagens, vídeos, dentre outras possibilidades, e ficam armazenados em nuvem no acervo da Educoteca. Uma vez disponíveis, qualquer usuário do mundo inteiro (inclusive visitante) pode ter acesso à publicação, compartilhar em suas redes sociais e, até mesmo, fazer comentários e sugerir alterações.

 

Recentemente, houve um concurso com categorias de professores e alunos para a produção de trabalhos com a temática “Rio 450 anos”. Essas produções foram publicadas na plataforma. Vale conferir!


A interface da ferramenta é bem intuitiva e também há um FAQ. Aproprie-se, utilize e não deixe de nos mandar um feedback com sugestões: educopedia@rioeduca.net.

 

 

*O login é o e-mail Rioeduca e a primeira senha de acesso é o CPF para o professor e a matrícula para o aluno.

 

 

                               

 

 

 


   
           



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Segunda-feira, 25/05/2015

Ensino Híbrido: por uma educação onde o aluno passa a ser dono de seu aprendizado

Tags: professores, ensinohíbrido, .

Não cabe mais pensar que o aluno só aprende se estiver em uma sala de aula ou acompanhado de um professor. Sabemos que eles aprendem por conta própria quando algo desperta seu interesse. A mudança no papel do professor pode, de alguma forma, envolver ainda mais o aluno em relação aos conteúdos escolares para que ele, gradativamente, torne-se protagonista? Essa é a proposta do “Blended Learning” ou Ensino Híbrido, repensar a prática atual onde o professor é o centro das atenções e o aluno um mero expectador. O Ensino Híbrido apresenta modelos de aulas onde a aprendizagem está centrada no aluno em busca de uma personalização que promova o interesse em seu aprendizado tornando-o protagonista desta ação.

 

Falar em personalização do ensino não é nenhuma novidade, Paulo Freire já defendia uma prática em que o aluno criava e ditava o rumo de seu aprendizado. Ao mesmo tempo, temos uma legislação que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, LDB, que cita em seu artigo 2º que a Educação tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando. Esse pleno desenvolvimento não expressa apenas assimilação de conteúdos, mas, sobretudo, o desenvolvimento de suas habilidades e competências.

Quando olhamos para a realidade de nossas salas de aula é preciso fazer uma reflexão sobre o aluno que estamos formando. Qual é a experiência ideal para nossos alunos?

Acredito que a palavra liberdade expresse bem o que se espera da relação de um aluno com seu aprendizado. De acordo com a filosofia “liberdade é a independência, autonomia e espontaneidade do ser humano”. As crianças e adolescentes de hoje experimentam essa liberdade e exercitam sua autonomia quando se comunicam ou fazem pesquisas na internet. Em contrapartida, são privadas dessa independência na escola.


Nos dias atuais não há como negar que a tecnologia faz parte da nossa vida e mudou nossos hábitos, nossa forma de nos relacionarmos e de nos comunicarmos. O papel da tecnologia na educação consiste em apoiar os alunos no processo de ensinarem a si mesmos além de auxiliar na coleta e análise de dados permitindo um feedback mais rápido aos professores e alunos.

É muito comum ouvir de pessoas pouco entusiasmadas com a proposta de repensar a educação e torná-la mais próxima da realidade atual que professores serão substituídos com o uso das novas tecnologias. Isso é uma grande falácia! Há uma frase que diz que “A web não muda o mundo, mas amplia o mundo.” E assim será com o professor, ele não se perde nessa nova abordagem pedagógica, ele muda seu papel, muda de generalista para especialista e realiza um trabalho de tutoria com seus alunos.


O mais importante nesta discussão é compreender que introduzir as novas tecnologias na educação e colocar o aluno no centro de seu aprendizado não significa romper com tudo que fazemos hoje em sala de aula. Nesse sentido apresentamos a ideia do Ensino Híbrido. De forma resumida esta metodologia de ensino propõe-se a utilizar o melhor da escola tradicional em conjunto do aprendizado online, dentro e fora da escola. Para que cada aluno seja atendido em suas necessidades, onde os alunos controlam o ritmo e o caminho do seu aprendizado, obtendo assim mais significado no que estudam.

 

 

O que é ensino híbrido?

O Instituto Clayton Christensen é uma organização internacional não governamental que foca seus estudos em busca de inovações na educação e durante muito tempo estudou casos de ensino híbrido nos EUA que auxiliou na elaboração da definição de ensino híbrido, voltado para a educação básica, por eles formulada. “O ensino híbrido é um programa de educação formal no qual um aluno aprende, pelo menos em parte, por meio do ensino online. O estudante tem algum controle sobre pelo menos um dos seguintes elementos: tempo, lugar, modo e/ou ritmo do estudo. A educação ocorre pelo menos em parte em um espaço físico supervisionado.” Podemos entender então que esta metodologia enfatiza alguns aspectos como:

Personalização do aprendizado. É considerado que os alunos não aprendem no mesmo tempo, nem pelo mesmo caminho. Enquanto uns assimilam rapidamente determinado conteúdo, outros precisam de estratégias diferentes ou um tempo particular para compreensão do assunto.
 

Ensino online deve estar integrado às atividades em sala de aula. Usar notebooks, computadores, tablets ou qualquer outra tecnologia em sala de aula sem mudar a forma como o aprendizado acontece não é ensino híbrido é apenas mais uma ferramenta. Não há mudança no papel do professor nem do aluno e isso nada mais é do que a prática tradicional feita de forma digital.

Aprendizagem colaborativa. Os alunos trabalham juntos, em pequenos grupos, trocando experiências, desenvolvendo mais sua autonomia e sua capacidade crítica a partir de discussões promovidas pelos grupos onde os alunos expõem suas ideias e escutam os colegas. Os alunos aprendem e ensinam ao mesmo tempo, constroem o conhecimento coletivamente. O professor está sempre presente acompanhando e intervindo como mediador nas discussões, tutorando os alunos com mais dificuldades e sempre atento à participação de todos no processo de colaboração.

Um dos principais ganhos de planejar aulas com este método é desenvolver autonomia no aluno para que ele tenha condição de avançar em seus estudos sem que o professor fique o tempo todo dizendo o que ele deve fazer. O aluno passa a ser dono de seu aprendizado.

 

 

Como introduzir o ensino híbrido em meus planejamentos?

Ao preparar uma aula no modelo híbrido de ensino é preciso salientar que um dos pontos mais importantes em seu planejamento é destacar o papel do aluno e o papel do professor nas atividades, os espaços e os recursos a serem utilizados na aula. Alguns planejamentos são feitos preocupando-se apenas com o conteúdo que será abordado. Essa é a primeira grande diferença, perceber que a mudança de postura do professor e do aluno já devem estar presentes no planejamento da aula. Os modelos de ensino híbrido dividem-se em duas categorias: os modelos sustentados e os modelos disruptivos. Modelos sustentados de ensino são aqueles que seguem certa proximidade com o modelo vigente. É por este motivo que costumamos ouvir que o ensino híbrido é o “melhor dos dois mundos”, pois oferece os benefícios da educação online com as principais vantagens da sala de aula tradicional. Já os modelos disruptivos em educação são aqueles que rompem com a sala de aula tradicional, estes são mais difíceis de serem adotados em nossa realidade.

Veja alguns exemplos de modelos sustentados de ensino híbrido que podem ser utilizados em seu planejamento:

Modelo de rotação por estações. O espaço é dividido em estações (espaços de aprendizado) com atividades diferenciadas, cada uma com um objetivo específico e todas dentro do conteúdo central da aula. Pelo menos uma das estações deve apresentar uma atividade online. Após um determinado tempo os alunos trocam de estações, até que ao final da aula todos tenham passado por todas as atividades. Nesse sentido é importante planejar a aula em estações independentes uma das outras para que os alunos possam começar em qualquer estação. O professor pode criar quantas estações desejar para a aula desde que o tempo previsto cada uma seja o mesmo. Nas estações podem ser oferecidas atividades em grupo ou mesmo atividades individuais. A rotação entre as estações acontecem no mesmo tempo, mas nem todos os alunos concluem as atividades no mesmo tempo. Por isso é importante pensar em uma atividade para os alunos ociosos por terem finalizado antes do tempo suas tarefas. Uma sugestão é solicitar a participação destes alunos como monitores, auxiliando os colegas que ainda não concluíram as atividades. A organização da sala neste modelo valoriza bastante a colaboração entre os alunos favorecendo o aprendizado entre pares, assim como essa formação do espaço possibilita que o professor esteja mais perto dos alunos com mais dificuldades e ao mesmo tempo estimulando os alunos que estão mais “adiantados”.

Modelo laboratório rotacional. O planejamento de uma aula neste modelo requer o uso de dois ambientes da escola: o laboratório de informática e a sala de aula. No laboratório o aluno realiza atividades online com orientação de um professor de apoio enquanto na sala de aula é acompanhado do professor especialista nas atividades. Após um tempo previamente determinado os alunos trocam de ambientes. Por este motivo as atividades 
planejadas para cada espaço devem ser independentes uma das outras para permitir que os alunos possam começar em qualquer ambiente. Importante ressaltar que os modelos híbridos podem ser utilizados em qualquer disciplina. Neste caso, para uma aula de educação física, por exemplo, a sala de aula pode ser a quadra da escola. Neste modelo o aluno aprende predominantemente nas atividades online, a sala de aula é reservada para outras atividades possibilitando assim a personalização do aprendizado e a autonomia do aluno.

Modelo sala de aula invertida. O planejamento divide-se em dois momentos: no primeiro momento, anterior à aula o professor orienta os alunos a estudarem os conceitos que serão vistos na aula seguinte, pode ser através de uma pesquisa feita pelos próprios alunos ou por material de estudo guiado pelo professor. No momento seguinte, na aula, os alunos utilizam-se dos conceitos aprendidos para construir o conhecimento, o professor atua como mediador orientando e guiando os alunos a trabalharem com os problemas, construindo uma rede de conhecimento através da aprendizagem colaborativa. É possível ainda o professor criar um terceiro momento com aprofundamento das questões discutidas em sala. Uma das vantagens observadas neste modelo é a otimização do tempo, permitindo que no momento anterior à aula cada aluno caminhe no seu próprio ritmo, além de desenvolver autonomia e responsabilidade nos alunos.

 

Saiba mais: A Fundação Lemann em parceria com o Instituto Península lançaram o curso online Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na educação. O curso foi especialmente feito por professores para professores. A proposta do curso é voltada para professores da Educação Básica que têm interesse de incluir novas tecnologias em sala de aula voltadas para a personalização do aprendizado de seus alunos, integrando-as ao currículo escolar. No entanto, qualquer pessoa com interesse no tema pode cursá-lo, tanto no modo aberto quanto no Programa de Certificação. Para maiores informações clique aqui: Ensino Híbrido
 

 

 


 

 

Possui graduação em Matemática (2005) e especialização em Avaliação Educacional (2006) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Nos últimos anos tem aliado à prática docente o uso de recursos tecnológicos de modo a tornar o aprendizado dos alunos mais interessante e dinâmico.

Participou atualmente na Fundação Lemann de um grupo de experimentações em Ensino Híbrido, elabora itens de conteúdo educacional para a Plataforma Geekie, é Embaixadora e Formadora da Khan Academy pela Fundação Lemann e Coordenadora do Estúdio de Gravação de vídeoaulas e podcasts da Educopédia.
 

 

 

 

 

 

                               

 

 

 


   
           



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